Opinião
Espectro da infla��o
Longe de ser livre de riscos, o caminho do desenvolvimento tem vários óbices, a maioria deles criados pelo próprio movimento ascendente da economia. A inflação, assombração velha conhecida dos brasileiros, é uma dessas armadilhas. Como que alertando para o próprio perigo (como a cascavel faz ao badalar o chocalho na ponta de sua cauda), o principal índice que afere a inflação no Brasil, o IPCA, repicou em alto e bom som um crescimento inflacionário acumulado de 5,91%. Este é o maior percentual nos últimos seis anos. Em 2009, esse índice cravou 4,31%; mas em 2008 já havia pulado para 5,90%. Ou seja, o lembrete está claro: cuidado com as pressões da demanda. Os processos de ascensão social em massa também têm seus ônus, não são exclusivamente bônus. Como tudo indica que seguirá adiante o crescimento econômico brasileiro em casamento com uma expressiva mobilidade social, é natural que a pressão do consumo intensificado venha a gerar resultados perniciosos. Como essa tendência faz parte do ABC da economia, é bom o poder público exercer, com mais firmeza e planejamento, o seu papel regulador. Segundo o divulgado pela mídia especializada, economistas do Banco Central estimam, para 2011, algo como 5,32% no IPCA. Seguem em cartaz, neste ano em curso, os fatores que estimulam o inchaço desse índice. Ou seja: aquecer-se-ão ainda mais a economia brasileira e os preços dos alimentos no mercado internacional (o café em grão subiu seu preço 37% em um ano, e o açúcar pulou 29% nas negociações internacionais). Essa combinação seria, na opinião dos analista econômicos, a principal causa da reanimação inflacionária no Brasil. Para o governo Dilma Rousseff estão colocadas tarefas antipáticas, como o corte nas despesas públicas e maior aperto no ajuste fiscal. Enfim, são os riscos e as oportunidades de um Brasil renovado.