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Honor�rios av�s

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Avô de dois netos, Caio e Maria Clara, costumo me enternecer com histórias de avós e avôs. Com tanto carinho por essas figuras, o destino pregou-me uma peça imperdoável: não conheci meus avós masculinos. Em compensação, tive uma convivência frutuosa com as avós. Uma delas, a Vó Docinha, foi decisiva no meu progresso, posto ter me ensinado a ler e a realizar com desembaraço as quatro operações aritméticas, antes dos seis anos de idade. Com vovó Moreninha o convívio foi mais longo. Praticamente morreu em meus braços, eu adulto e médico, tentando, in extremis, reanimá-la com desesperada e inútil ? boca a boca?. Monteiro Lobato, com a sua imortal D. Benta, (a Vó Benta) conseguiu juntar em uma só personagem a dona de casa, a mãe-avó de crianças, além de grande aventureira disposta a mergulhar de corpo e mente nas fantasias mitológicas dos netos e agregados. O coronel José Paulino, avô do menino Carlinhos, de Menino de Engenho, do paraibano José Lins do Rêgo, foi outro que saltou das páginas da ficção para preencher o ?vazio de avô? da minha infância e adolescência. Na vida real conheci senhores e senhoras maduros que assumiram a função de pais atentos, criando filhos de filhos, sem abrir mão da condição de avós. Também testemunhei emocionadas provas de gratidão e ternura de netos sendo acompanhados em cerimônias de formaturas e casamentos por orgulhosos idosos (alguns de bengala e/ou cadeira de rodas). ?A natureza imita a arte?, teria dito Oscar Wilde. Nossos homens públicos têm dado exemplo de incoercível afeto por seus netinhos. Cito três grandes líderes com esse invejável perfil: José Sarney, Paulo Salim Maluf e Luiz Inácio Lula da Silva. O honorável Sarney, como a imprensa já noticiou, pôs o Senado da República à disposição de sua netinha querida, amparando o namoradinho da menina. Maluf, durante pretérita campanha para prefeito, sonhava em fazer uma administração voltada para os netos, a exemplo das anteriores dedicadas à família, em especial ao filho, Flávio. Já o nosso estimado Lula, cujo pimpolho Lulinha é o Bill Gates brasileiro, transformou seu netinho de 14 anos praticamente num diplomata do Itamaraty. Um novo Rio Branco, certamente, está a caminho. Quem sabe um Rui Barbosa ou um Aranha. Lulinha Neto, aos 14 anos (assim como dois titios), supostamente ao arrepio da lei, tem passaporte diplomático especial, privilégio reservado a titulares de ministérios e a outros servidores de igual envergadura. Nada como um bom avô. (*) É médico.

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