Opinião
Estat�stica mortal
Dentre os velhos problemas a requerer novas soluções, os que concernem à segurança pública é um dos mais graves reencontrados pelo governador de Alagoas nesta segunda gestão Teotonio Vilela. Dizer que a insegurança pública é um problema nacional e que a violência não é novidade em Alagoas nada acrescenta ao esforço de equacionar esse gravíssimo problema. Ambas as respostas, considerando a conjuntura local, são meias-verdades que deixam o cidadão desarmado, expondo-o à desesperança mais completa. A considerar unicamente esses dois pretensos axiomas, nada resta o que fazer além de erguer as mãos em sinal de rendição (aos bandidos) e orar pela misericórdia Deus. A insegurança é problema nacional e Alagoas tem histórico de violência. Mas isso deve-nos estimular a enfrentar o problema com redobrado afinco, pois a junção desses dos fatores desfavoráveis à cidadania não pode ser tolerado. Em segundo lugar, essa fusão dar-se numa condição ainda mais perigosa para o Estado, pois a violência que grassa em Alagoas é-nos praticamente desconhecida, pois o que infelicitava os alagoanos era a bandidagem política, cujas origens e alvos eram mais fáceis de mapear e resolver. Até poucos anos, o alagoano se orgulhava de garantir ao turista que Maceió era uma cidade onde se podia andar, sem maiores riscos, pelas madrugadas. Hoje isto não mais existe, nem para visitantes nem para moradores. Aparentemente, a disseminação do vício do crack tem imprimido um ritmo alucinante aos crimes de morte. Somas de todos os tamanhos, algumas na ordem de apenas dezenas de reais, a título de dívidas para com os traficantes, têm sido cobradas com a vida dos supostos devedores. No último fim de semana, a contabilidade mórbida indicava 20 homicídios. Uma estatística de áreas em guerra convencional. Realidade mortal que, desgraçadamente, está ficando velha, e se banalizando, sem que o Estado a enfrente de forma eficiente.