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Opinião

Lilly Marinho

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Conheci a sra. Lilly Marinho quando veio à Maceió em 27 de abril de 2005, lançar seu livro Lilly & Roberto Marinho. Havia lido sua obra e como gostei muito, já tinha externado minha opinião numa cartinha que lhe fiz sobre o assunto e que, parece lhe ter agradado, pois, no Chá Regional que lhe foi oferecido pela Organização Arnon de Mello, fez questão de me conhecer e quis que me sentasse à mesa ao seu lado. Pediu-me desculpas por não ter respondido minha mensagem, alegando não ser escritora. Encantou-me a sua beleza conservada numa idade já avançada, a sua elegância, finesse, simpatia e, sobretudo, sua simplicidade. Mulher culta, dona de esmerada educação aprendida nos bons colégios da Europa e no convívio com pessoas da alta sociedade brasileira e mundial, ela não se tornou uma pessoa pedante, nem preconceituosa: sua inteligência a orientou para usar seu nível social no caminho da bondade, da sedução e da fraternidade. Nascida na Alemanha de mãe francesa e pai inglês foi, porém, educada na França. Quando jovem sua beleza a promoveu, no concurso mundial que exalta o encanto das mulheres, a Miss Paris. Nesse tempo conheceu o bem sucedido empresário Horácio de Carvalho com quem contraiu matrimônio. Essa união durou 45 anos, foi, porém, interrompida pelo falecimento precoce do marido. Mas deixou-lhe muito boas lembranças. Quando enviuvou o destino a aproximou do Diretor da Globo, Sr. Roberto Marinho, com quem já se encontrara uma vez numa festa no Copacabana Palace. Ele ficara tão impressionado com aquela jovem bonita e sedutora que guardou sua imagem para sempre. Casaram-se. Esse amor maduro e duradouro tornou-se uma união cheia de cumplicidade e de entendimento. Estavam juntos há 14 anos quando, novamente, a morte lhe arrebatou o companheiro deixando-a cheia de saudades. A Sra. Lilly teve somente um filho, do primeiro matrimônio, o qual faleceu aos 26 anos, num desastre de trânsito. Criou, então, um menino que cresceu, casou e lhe deu lindos netos por quem era muito dedicada. Para homenagear o segundo esposo, brilhante empresário e homem de imprensa, escreveu um livro que retrata sua cultura e sua sensibilidade. São páginas em que põe à mostra sua existência cheia de emoções, ensinando como enfrentar as várias situações que muitas vezes a vida nos apresenta. Sua aparência jovial não denunciava sua idade. Mas a morte é implacável! Com todas as suas posses, 23 dias internada no melhor hospital, cercada dos mais renomados médicos, não conseguiu vencer uma terrível infecção pulmonar. Sua figura de mulher havia me impressionado quando a conheci. Está no meu livro ?Nas asas do tempo?. (*) É membro da Academia Alagoana de Letras.

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