loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

A roupa nova da rainha

Ouvir
Compartilhar

A presidente da república, Dilma Rousseff, está na capa de quase todas as revistas de circulação nacional devido à sua posse, ocorrida em 1º de janeiro de 2011. Apenas uma dessas revistas ignorou a substituição presidencial aprovada e consagrada na eleição passada. Uma atriz indiana, Aishwarya Rai Bachman, foi capa de uma revista internacional ? Elle ?, mas a revista ?embranqueceu? tanto a atriz com de excessivo photoshop, que está sendo acusada de racismo e será processada por isso. Há uma relação entre esses dois fatos. A capa da revista internacional embranqueceu uma atriz de pele morena, de origem terceiro-mundista, porque é mais fácil aceitar a europeização de uma pessoa do que deixá-la ostentar sua própria pele. A capa da revista brasileira de forma tendenciosa mostra o pódio do Planalto com microfones e atrás deste a sombra do ex-presidente, com a manchete ?O Brasil depois do mito?; em parte alguma da revista há uma única foto da presidente ostentando a faixa presidencial. As duas fotos minúsculas que estão nas páginas 10 e 83 são de momentos anteriores à posse. Se isso não representar uma tentativa de apagamento de Dilma Rousseff, o que mais pode ser? Isso mostra a posição política adotada pela revista e quer indicar que ela não é nada no cenário do País. Casos semelhantes podem ser vistos nas atitudes relativas a outros eventos importantes. Um deles foi a posse de Obama, o primeiro negro norte-americano a tornar-se presidente dos Estados Unidos. Michele Obama, a primeira dama, estava na posse e tudo o que a mídia falou sobre ela, naquele dia, foi como ela estava vestida. Ninguém sequer mencionou a cor do terno do presidente. Mas, por esse raciocínio reacionário, as mulheres são como ?enfeites? e por isso precisam ser mencionados dessa forma. Aconteceu o mesmo com a mulher do vice-presidente brasileiro: tudo o que se falou dela foi como era bonita e jovem e que era a ?Carla Bruni? brasileira. Falou-se também na gafe da diplomacia brasileira que colocou Hilary Clinton ao lado do ditador Hugo Chávez. Mas, além disso, falou-se que ela tem uma traseira ?africana?. Voltando à capa que apagou a presidenta, o recado da revista parece-me claro: olha, senhora, nós não damos a mínima para a sua presidência. O homem que saiu é mais do que a senhora. Quem não se lembra da frase: ?Por trás de um grande homem há sempre uma mulher?? Mulheres, pela lógica da revista e do pensamento preconceituoso só podem estar à sombra de algum homem. Só que agora, Dilma Rousseff é a presidente, por escolha dela, apesar da mídia continuar mantendo a versão masculina do substantivo ?, do Brasil, tenhamos ou não votado nela. Se a sua imagem será melhor ou não do que a do ex-presidente, isso só o tempo dirá. A revista com sua tendenciosa capa apenas mostra que este país ainda tem muito que aprender no respeito não só às mulheres, mas à vontade de mais de cinquenta milhões de eleitores e eleitoras brasileiras. (*) É professora da Ufal.

Relacionadas