Opinião
Cat�strofe tropical
Desgraçada mente, repete-se a tragédia das chuvas no Brasil. E, mais uma vez, o Rio de Janeiro é duramente castigado pela intempérie. O flagelo desses dias em curso tem se abatido especialmente sobre a região Serrana carioca, espalhando o horror por áreas bucólicas como Teresópolis, um dos redutos preferidos pela antiga realeza em função da exuberância de sua natureza. Não é momento de se polemizar sobre causas, muito menos de procurar impingir responsabilidades pessoais e políticas a quem quer que seja. A hora é de solidariedade, de apoio incondicional. Todavia, malgrado esse propósito, a solidariedade não obsta reflexões, até pelo fato de que a justa comoção causada pela mortandade cobra, para além da emoção, exercícios da razão como o fito de se entender o ocorrido e, daí, tentar barrar a sua repetição. Chuvas de verão são típicas do clima brasileiro. É impossível desabitar todas as áreas com um mínimo de risco. Em resumo, este tipo de tragédia, que já ocorreu antes, poderá acontecer novamente; o que fazer diante disso? Prestar redobrada atenção e deter-se mais sobre os problemas ecológicos cotidianos parece ser uma questão estratégica. Que não sejam deixadas de lado as discussões sobre o aquecimento global, sobre os efeitos do crescimento da industrialização, mas que tenham idêntica ou maior relevância as realidades urbanas brasileiras, cada vez mais vulneráveis às comezinhas variações do nosso clima. Ultrapassando duas centenas, o número de vítimas fatais nestas chuvas (que ainda caem) sobre o Rio de Janeiro é um terrível alerta para a indispensabilidade da busca de soluções práticas. Cada uma dessas tragédias, causadas pelas chuvas tropicais, reafirma a necessidade de políticas públicas objetivas, mais racionalidade ecológica; e menos badalação, menos modismo, na abordagem da questão ambiental.