Opinião
Carlos Cardoso Pontes de Miranda, engenheiro
Idos de 1956. Lecionava a disciplina de Desenho no curso pré-vestibular, do saudoso Instituto Mota Trigueiros à rua da Boa Vista, em Maceió, quando soube que na turma de engenharia havia um aluno que me trazia particular curiosidade. Tratava-se de Carlos Cardoso Pontes de Miranda, irmão de minha namorada Marisa, aluna do colégio Santíssimo Sacramento. Algumas aulas de geometria descritiva foram suficientes para mostrar o talento e a inteligência daquele aluno, logo depois confirmados na sua aprovação na Universidade Mackenzie em São Paulo. Fez o curso de Engenharia Civil naquela universidade paulistana, com raro brilhantismo. Após a graduação recebeu convites para trabalhar em São Paulo, mas a vontade de servir ao seu Estado, onde as raízes de sua família estão fincadas, foi muito mais forte e muito mais prazerosa. Com invejável conteúdo científico, mormente na área de que se especializou ? cálculo de estrutura de concreto armado ? fácil foi chamar para si a atenção da comunidade alagoana, e da universitária, e logo foi convocado para prestar serviços à Universidade Federal de Alagoas. Atuou no Departamento de Obras no importantíssimo momento da construção da Cidade Universitária onde se salientou pela honestidade de caráter e firmeza de suas decisões de ordem técnicas. Diante do sucesso no campo profissional foi convidado para reger a disciplina de Concreto Armado do Curso de Engenharia Civil do Centro de Tecnologia da Ufal. Onde se aposentou. Tive a felicidade de contar com a brilhante inteligência do Carlos, logo no seu retorno de São Paulo como engenheiro, quando prestou inestimável colaboração à minha empresa M. L. Soares Engenharia em várias obras públicas e particulares que realizamos em todo Estado de Alagoas. Depois de prestar eficientíssima colaboração, chegou a hora de construir a sua própria empresa, e associando-se ao engenheiro Alfred Leahy foi responsável pelo sucesso de vários empreendimentos habitacionais em Maceió. Era casado com Maria Beatram, talentosa odontóloga do Rio Grande do Sul, que certa vez em uma de minhas crônicas ? Confraria do Calçadão ? a chamei de valente gaúcha. Na verdade, Beatram não é só uma valente gaúcha. Demonstrou garra e raro censo de equilíbrio na curta, mas pungente odisseia dos últimos meses de vida do seu querido marido. Seus filhos. Luciana, procuradora do Estado de Pernambuco e Carlos Eduardo, juiz de direito do Estado de São Paulo, foram o testemunho vivo do sucesso de uma família cristã e feliz. A cremação do corpo em Recife, no cemitério Morada da Paz, foi uma cerimônia muito comovente, mas extremamente simples, com certeza bem ao estilo do Carlos. Ao deslizar o caixão para fora de nossas vistas, uma chuva de pétalas de rosas caiu sobre o local, na mais silenciosa e bonita mensagem de despedida. O Carlos se ia, mas ficara conosco, sua mulher, seus filhos, parentes e amigos a consolação da certeza de que a vida é um instante na vasta eternidade. (*) É engenheiro civil.