Opinião
Indulg�ncia, ontem e hoje
A pregação das indulgências no século 16 foi inoportuna e equivocada. Deu origem à Reforna Protestante, termo também equivocado, porque a verdadeira reforma da igreja só se daria com o Concílio de Trento. Na época, o papa Leão 10 decretara uma ampla pregação de indulgências para arrecadar fundos para a construção da Basílica Vaticana. Houve graves abusos e provocou a revolta do frade agostiniano Lutero, também porque o escolhido foi o dominicano Tetzel e não um agostiniano como Lutero pretendia. O papa suspendeu a pregação e Tetzel foi estudar mais teologia ? o que ele muito precisava. Indulgência ? na linguagem canônica da igreja ? é a remissão diante de Deus da pena temporal devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa, que o fiel, devidamente disposto, obtém pela mediação da igreja, dentro de determinadas condições. A igreja, como dispensadora da Redenção, distribui e aplica por sua autoridade o tesouro das satisfações de Cristo e dos Santos. É importante distinguir aqui o que é culpa e o que é pena. No pecado, há a culpa, que é oriunda da ofensa a Deus, e a pena, que exige reparação do mal causado. Por exemplo: quem roubou algo de alguém, deve arrepender-se do mal cometido (culpa) e reparar o dano causado (pena). A culpa se apaga pelo arrependimento diante do Senhor e pela absolvição recebida no Sacramento da Penitência. A pena se redime por ações de penitência, de caridade, reparando o mal causado, ou pela indulgência concedida pela igreja. Zaqueu recebeu a visita inesperada do Senhor que lhe disse: ?Hoje aconteceu a salvação para esta casa, porque também este é um filho de Abraão? ? é o perdão da culpa. Mas Zaqueu dissera antes: ?Senhor, a metade dos meus bens darei aos pobres, e se prejudiquei alguém, vou devolver quatro vezes mais? ? é a reparação do dano (Ver Lucas, 19, 1-10). A indulgência é plenária quando remite toda a pena devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa. Sempre a igreja estabelece as condições necessárias para obtê-la. São elas: receber os santos sacramentos da Penitência e da Comunhão, rezar pelo sumo pontífice, e ainda rezar um Pai-nosso, uma Ave-maria e o Credo e fazer o ato específico daquela indulgência. Por exemplo, visitar em dias determinados uma igreja que goza deste privilégio, como é o caso da Basílica do Sagrado Coração de Jesus no Recife, dirigida pelos Salesianos, que neste domingo 16 de janeiro, será proclamada Basílica pelo Arcebispo de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido. (*) É arcebispo emérito de Maceió.