Opinião
La Ni�a e as grandes trovoadas no Nordeste
El Niño e La Niña são fenômenos oceânico-atmosféricos caracterizados por um aquecimento (Niño) e esfriamento (Niña) anormais das águas superficiais do Pacífico Tropical que podem afetar o clima regional e global, mudando os padrões de ventos em nível mundial, afetando assim o regime de chuvas em regiões tropicais bem como nas regiões situadas em latitudes médias. Todos nós conhecemos do estudo da Geografia básica a famosa corrente de Von Humboldt. Essa corrente inicia-se na vizinhança da Antártica, na costa do Chile, penetrando profundamente no Pacifico ao longo da costa oeste da América do Sul até o Equador, desviando-se depois em direção oeste para as Ilhas Galápagos, tornando-se então a chamada corrente equatorial do Pacífico. Tal corrente fria é responsável pela alta produção e abundância de peixes e mariscos perto da costa dessa região graças à ressurgência natural dos nutrientes. El Niño são eventos climáticos de curta duração e se manifestam trazendo correntes tropicais quentes substituindo a fria corrente de Humboldt, prejudicando a ressurgência, com a conseqüente redução da produção pesqueira. Por outro lado, o ar quente e úmido decorrente faz com que essas correntes dêem uma guinada para o norte, influenciando tempestades e furacões no Golfo do México, além de outros efeitos de caráter global. A documentação sobre os efeitos do El Niño é farta e bem conhecida. Nesses eventos ocorrem chuvas torrenciais no próprio Peru, secas acentuadas na Indonésia e na Austrália e formação de nuvens de chuvas nas áridas Ilhas Galápagos. La Niña, o oposto frio e seco do ?menino?, ainda é um grande mistério no mundo acadêmico e cientifico tendo, porém uma maior longevidade e efeitos tão importantes sobre o clima quanto seu gêmeo oposto, principalmente pelo fato de que um Pacífico oriental mais frio tem implicações no surgimento de secas naquela região. Em decorrência do pouco conhecimento e estudos documentados sobre esse fenômeno, o professor e pesquisador da UFAL, Luiz Carlos Molion, considerado um dos maiores climatologista do nosso País e do mundo, vem ao longo dos últimos 30 anos observando seus efeitos, principalmente sobre o Brasil. Constatou-se na região sudeste e centro-sul com o surgimento de grandes geadas (erradicação do cultivo do café na fronteira do Paraná/São Paulo) e tempestade com ventos fortíssimos no planalto desses estados com a derrubada de torres de transmissão de alta tensão de energia elétrica de Itaipu para o eixo Paraná/SP/Rio. No Nordeste observou-se uma maior intensidade no choque dos ventos sul (frio e seco) com os ventos norte (úmido e quente) resultando em enormes trovoadas na região com precipitações e intensidades de chuvas muito acima do normal. No momento estamos no início do período das trovoadas (jan./março) e em plena vigência do La Niña. Caso persista, estaremos preparados para enfrentarmos seus efeitos? (*) É professor da Ufal.