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Opinião

Del�rios delirantes 2

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Domingo passado iniciei uma rápida análise de algumas ideias do ateu Sam Harris. Agora a concluo. Harris afirma: ?Deveria ser consenso o apreço ao bem-estar humano. Se alguma coisa é má, é porque ela causa um grande e desnecessário sofrimento ou impede a felicidade das pessoas. Se alguma coisa é boa, é porque ela faz o contrário?. Quem pode determinar o que é bem-estar?É o mesmo para todas as pessoas, para todas as culturas? A ciência dará à humanidade as condições para enfrentar realidades como o sentido da vida, sofrimento, a solidão, o fracasso, a dor e a morte? Será ela a saciar no homem sua sede de infinito e sua abertura para o Transcendente? Mas, Harris acredita que a ciência ? e particularmente a neurociência ? possa determinar o que é bem-estar, fundando uma moralidade normativa para a humanidade, uma moralidade científica! Eis: tira-se a religião aberta ao Transcendente para criar uma outra, imanente, que imporia à humanidade uma moralidade ?científica? de encomenda, estabelecida por cientistas iluminados e bonzinhos, sem interesses escusos... Não é a toa, que de modo muito coerente, ele defende a intolerância contra certa tolerância... É uma visão louca dessas que abre caminho para todo infame totalitarismo, que termina destruindo a liberdade das pessoas, a consciência do indivíduo e fazendo da vida um inferno! Imagine-se um mundo regido por uma moral do bem-estar e um bem-estar determinado pela neurociência! Eis a definição di ciência dada por Harris: ?Chamo de ciência o nosso melhor esforço em fazer afirmativas honestas sobre a natureza do mundo, tendo como base a razão e as evidências?. Precisaríamos ver bem o conceito de honestidade e os usos que já foram feitos da pretensa honestidade, imparcialidade e objetividade da ciência... A ciência é feita por cientistas e os cientistas são humanos, com paixões, interesses, estreiteza de visão e de valores... Pensava que tinha ficado no século XVIII e havia sido definitivamente enterrada a ideia ingênua de que o homem é bonzinho e pode, guiado unicamente pela razão, livre de suas paixões, criar por si um mundo maravilhoso! Harris iguala o Deus da Bíblia aos vários deuses mitológicos... Esquece que toda a civilização ocidental foi plasmada em enorme parte pela fé no Deus da Bíblia! Faz de conta que ignora que as melhores intuições do homem ocidental ? inclusive na tradição laica ? têm suas raízes na moralidade do Deus da Bíblia. Numa amnésia malévola, não recorda o sentido profundo do monoteísmo vivido por Israel e pelos cristãos. Para terminar, nosso Autor coroa suas assertivas acusando o Santo Padre Bento XVI de ser o responsável primeiro pelos atos de pedofilia em alguns membros do clero. Sua sentença é inexorável: cadeia para o Santo Padre! Não comentarei tal infâmia, pois é absolutamente desprezível! Só digo isto: por esta avaliação, por este tipo de afirmação, pode-se ver o grau de seriedade, a imparcialidade e a honestidade das afirmações feitas pelo Autor em baila. É um belo exemplo das ?afirmativas honestas? que ele imagina para qualificar a ciência e estabelecer a moralidade humana... De filósofos desse tipo, de pensadores desse naipe, livre-nos o Deus da Bíblia, que é a única salvação para toda uma humanidade, que produz aloprados desse tipo! (*) É bispo auxiliar de Aracaju-SE.

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