Opinião
Alertas da Natureza
Compromisso governamental: em até quatro anos o Brasil terá, em pleno funcionamento, seu programa nacional para a prevenção de acidentes naturais. Esse sistema, informam os técnicos governamentais, está sendo montado desde 2008 e a previsão é de que em 2014 possa estar em pleno funcionamento, esquadrinhando o clima através de pluviômetros e radares modernos, tudo devidamente conectado a satélites metrológicos e a avançados programas informatizados. O resultado almejado é, pode-se dizer, a aproximação da realidade aos ancestrais sonhos humanos, viabilizando os oráculos sobre o clima, garantindo segurança na previsão de alterações climáticas significativas, detectando com exatidão ocorrências futuras como chuvas, secas, enchentes... Indubitavelmente o correto funcionamento desse programa em muito auxiliará o homem a evitar acidentes naturais como o que flagela nos dias em curso a região Serrana do Rio de Janeiro e outras áreas em São Paulo. Tal perspectiva tecnológica, entretanto, não é uma varinha mágica capaz de evitar a repetição de catástrofes como a deste verão. Além das variações climáticas, a injução humana é causa fundamental para a ocorrência desses desastres. A ocupação irregular do solo salta aos olhos de todos em todas as regiões brasileiras. Encostas argilosas, ravinas, margens de rios, riachos e lagoas, áreas de preamar são inapelavelmente e irresponsavelmente povoadas (por gente de todas as camadas sociais). De favelas a condomínios de alto luxo, passando por imóveis das classes médias, é formada a colcha de retalhos que agride a Natureza. Aviltada, a Natureza emite seus sinais de perigo, visíveis a olho nu, sem a necessidade de quaisquer tecnologias. Esses avisos é precisam de atenção; se não os levamos em conta, de nada adiantarão os modernos sistemas.