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Opinião

Homenagem �s minhas origens

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Permita-me, leitor, que preste uma homenagem à cidade de Penedo, onde estudei o curso ginasial. Nasci em Traipu, numa fazenda à beira do São Francisco, onde morei até os 13 anos. Feliz época de minha vida, ao sol e à terra calcinada de verão, às noites invernosas de junho e ao rio de águas claras deslizando. Volto a Penedo, à festa de Bom Jesus dos Navegantes, em que se misturam religiosidade e fusão de outros elementos culturais. As embarcações fluviais ensejam beleza à festa. Uma população apinhada e reunida por uma inabalável fé conduz, com carinho, o bom Jesus. Volto ao passado. Tento descrever a emoção que senti ao divisar ? pela primeira vez ? a cidade de Penedo, a bordo no navio Comendador Peixoto, que, no início das aulas escolares, conduzia alunos de Piranhas, Pão de Açúcar, Traipu, que vinham estudar nessa cidade polo. Tento descrever essa emoção com palavras de Nilza Megale: ?Quem desce de barco o Rio São Francisco, a poucos quilômetros de sua foz, tem a agradável surpresa de avistar, sobre enorme penhasco, uma fileira de casas coloniais de variadas cores, realçando sobre as águas verdes do rio. É a cidade de Penedo, uma das mais antigas do Brasil, fundada por Duarte Coelho Pereira, que lhe deu este nome devido à sua situação geográfica?. Mais saudades. Sento na poltrona do tempo e retorno à adolescência nessa legendária cidade, que Medeiros Neto dizia ser ?a cabeça e a bandeira dos destinos geográficos e históricos do rio da unidade nacional?. Se voltarmos à vista a esse passado, do qual sou testemunha, alcançamos acontecimentos que demonstram a evolução e transformação da urbe ribeirinha: inauguração do Cine São Francisco, que passou a ser a melhor casa de espetáculos do Nordeste e de um bom hotel que levou o mesmo nome. Estavam em caminho mais novidades: a instituição do Festival de Cinema de Penedo, na década de 70, que ali reuniu atores, cineastas e autoridades, transformando Penedo, num final de semana, na Gramado nordestina, na Meca do cinema. Modernamente, agradam-me os museus penedenses (leiam-se ações de Carmen Lúcia Dantas e Francisco Sales), a recuperação de prédios históricos, a evolução educacional e os cuidados com o Teatro 7 de setembro, uma obra do famoso arquiteto italiano Luigi Lucarinni. Penedo evoluiu, sem perder sua tradicionalidade. Penedo e Traipu marcaram minha formação e delas guardo recordações que me sensibilizam. São parte de minha história. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.

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