loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

O tom e o ritmo do novo governo

Ouvir
Compartilhar

Ainda gera grandes apreensões o tom e o ritmo do novo governo. É certo que a presidente Dilma vai fazer de tudo para acelerar iniciativas já no começo do mandato, porque se nada acontecer até o meio do ano, fica cada vez mais difícil depois, por causa do natural desgaste, principalmente com o Congresso. Será que teremos finalmente reformas estruturais? A reforma política e a tributária (que não saíram do papel no governo Lula e nem antes dele), terão avanço com Dilma Rousseff? Preocupa, especialmente o setor dos militares, a obsessão de alguns com a chamada Comissão da Verdade (nome bem ao estilo de Lênin), para mexer num vespeiro que não é tradição do Brasil. Sempre fomos de olhar para a frente. A cultura do brasileiro não é de revanchismo, como acontece em outros países, em situações como esta. O que se percebe é que no governo Dilma há quem queira reescrever a história recente do Brasil, para dar uma ?versão? que interessa à esquerda mais xiita do PT, sobre o período 1964-1985. A Comissão da Verdade quer fazer prevalecer somente a verdade dos guerrilheiros que lutaram no período, e não daqueles que tiveram que defender a Pátria (embora alguns deles tenham exagerado como o fizeram alguns guerrilheiros). Querem banir o nome de Castelo Branco dos logradouros públicos, substituir o nome do ex-presidente das avenidas para quem sabe homenagear Lamarca (e porque não Che Guevara?), etc. Para agravar ainda mais a tensão com os militares (irritá-los ainda mais), a presidente Dilma pode chamar o ex-guerrilheiro José Genoíno (que foi derrotado no pleito de 2010), para ser assessor direto do Ministro da Defesa, Nelson Jobim. Colocar Genoino (que também é abortista declarado) no Ministério da Defesa pode significar cutucar a onça com a vara curta. Ninguém sabe o que pode acontecer disso tudo. Há militares descontentes com o atual quadro, e que não irão facilitar as coisas. Ao contrário de Lula, Dilma prefere reuniões a portas fechadas, pouco falando com a imprensa, numa ação mais de gerente burocrática do que de liderança política. Temos visto a dificuldade da presidente em conter a gula pantruélica do PMDB e o pool de pequenos partidos que orbitam em torno de Michel Temer, no afã de cargos e mais cargos. Com o fim do recesso parlamentar, vamos começar a sentir melhor os efeitos deste novo estilo de governo, que pode ser bastante centralizador. É um tom e ritmo já conhecidos, e que tanto Fernando Henrique quanto Lula procuraram agir diferente, tendo conseguido bons resultados. A Presidência da República é uma função que exige experiência política, muito mais que preparo técnico. Vamos aguardar os fatos para que tenhamos uma dimensão melhor para onde vai caminhar a barca da presidente. (*) É doutor em Sociologia.

Relacionadas