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Opinião

Caminhos das �guas

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Além das catástrofes em grande escala como a que castigou a região serrana carioca, uma série de eventos naturais causam prejuízos recorrentes, quase sempre decorrentes de ocupações irregulares. Em Alagoas é fato conhecido o avanço das águas sobre edificações localizadas às margens de rios, lagoas e à beira-mar. São vítimas permanentes os imóveis situados nas areias beijadas pelas águas salobras dos canais que fazem a ligação entre as lagoas Mundaú e Manguaba e o oceano Atlântico. Recentemente, os moradores praieiros de Paripueira estão a reclamar dos poderes públicos apoio frente ao avanço da maré sobre seus imóveis. Mas, nesses casos, aparentemente, não se pode falar em acidente natural, pois não é nada acidental o movimento das águas que apenas buscam seu leito natural de expansão. Os imóveis é que, incidentalmente, foram edificados em áreas inapropriadas. É justo que os construtores dessas irregularidades venham cobrar dos poderes públicos investimento público para lhes garantir a propriedade privada? Não nos esqueçamos de que tais edificações foram feitas ao arrepio do bom senso, quando não em completa inobservância da legislação que trata do tema. Barrar a força das águas exige investimentos e estudos adequados. Os diques holandeses provam o quanto se despende para ganhar terras ao mar. É uma estupidez edificar sobre as areias que, em algum tempo, serão cobradas pelas marés, pelos rios e pelas lagoas. depois do erro cometido privadamente, é exigido socorro público. Estamos diante de uma sucessão de erros, ignorâncias e oportunismos. E os governos não são inocentes, pois não fiscalizaram, não coibiram essas construções temerárias e/ou irregulares. E, face à força da Natureza agredida, terá de ser, sempre, usado o erário para mitigar o problema criado.

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