Opinião
Capital do turismo
Um conhecido e espirituoso empresário da construção civil de Maceió, que nesta época leva a família para veranear em Barra de São Miguel, sem deixar de continuar trabalhando em Maceió, como muita gente faz, contou-me no domingo passado dois episódios bizarros lá vivenciados por toda a família, que dão um pequeno sinal de como está àquela bela cidade neste verão. Resumo-os abaixo. Uma noite de sexta-feira, chegando à Barra após exaustiva semana de labor, jantou e foi se espreguiçar na rede, onde cochilou. Foi catapultado da gostosa sonolência pela estridência de infernal som que vinha de uma casa vizinha alugada por uns desconhecidos. Entorpecido pelo estupor dos milhões de decibéis, observou que eram umas gigantescas caixas de som direcionadas dos selvagens vizinhos para o seu lado. Passou a noite totalmente em claro. Cedo no dia seguinte procurou o comandante da guarnição da PM e apelou para que fosse à noite com um destacamento e tomasse apenas uma única providência: usasse a sua autoridade e virasse o imenso aparato de torturas para o lado dos delinquentes. O que foi feito. Santo remédio, rapidinho o brutal equipamento foi desligado pelos próprios marginais. Sua temporada de suplícios sonoros não parou por aí. Na semana seguinte, surpreendeu-se, pois o exterminador barulho vinha da casa de um antigo vizinho de veraneio. Novamente angustiado e insone, no meio da madrugada procurou o cidadão. O cara de pau, respondeu-lhe: ?Infelizmente, não posso fazer nada, sabe, são os meninos?. Na semana seguinte, o afável construtor adquiriu e trouxe para a Barra uma tonelada de pesadas buzinas de caminhão e de outros veículos pesados, direcionou-as para o inimigo e deixou seus filhos usarem-nas à vontade. Quando a aturdido vizinho o procurou desesperado na madrugada, deu-lhe o troco: ?Infelizmente, sabe, são os meninos?. Um pacato secretário de Estado em pleno exercício do cargo, também em uma sexta-feira, não podendo dormir pela pesada casa de pagode que virou o vizinho, procurou a delegacia de polícia na própria madrugada, mas esta estava fechada. Passou a noite acordado e sofrendo. Casos semelhantes e muito piores se multiplicam. Barra de São Miguel quer ser a nossa capital do Turismo, mas pela balbúrdia, pela perturbação, pela selvageria e descontrole das noites na via pública, infelizmente tornou-se um local inseguro, desprovido de lei e de ordem. Embora tenha tantas belezas, seu futuro como recanto turístico está seriamente ameaçado. (*) É médico e professor da Uncisal.