Opinião
Jesus, certeza que vem de Deus
Nas últimas duas semanas a igreja nos está fazendo escutar trechos da Epístola aos Hebreus. Trata-se de um dos livros da Sagrada Escritura. Seu objetivo é discorrer sobre o sacerdócio de Cristo Jesus. Neste escrito impressiona as afirmações fortes sobre a divindade e unicidade de Cristo: ele é o Filho único e eterno do Pai, ele é igual ao Pai, ele é superior a toda criatura, ele é o Salvador universal: Salvador de todos e único Salvador para todos. E estas afirmações podem ser encontradas por todo o Novo Testamento... É importante nunca esquecer que os textos neotestamentários são a norma da fé dos cristãos, o critério último da fé da Igreja. Naqueles escritos santos encontram-se as experiências vivas que os primeiros cristãos fizeram, frutos daquilo que viram e ouviram, daquilo que testemunharam de Jesus, o nosso Cristo Salvador. Ali podemos tocar as origens da fé nossa fé: aquilo que somos, aquilo em que acreditamos e o porquê da nossa certeza. Por isso mesmo a igreja de cada época deve sempre escutar com devoção e profunda obediência estes textos santíssimos. Faço estas afirmações porque vivemos num mundo de incertezas, no qual muitas vezes se confunde diálogo com quem pensa e crê diferente com capitulação da própria fé, escondimento da verdade na qual se apostou a vida, traição à certeza que nos foi revelada. Há cristãos que perdem a fibra de cristãos e, para serem simpáticos e ?ecumênicos?, pensam poder colocar Jesus entre parênteses, fazendo dele apenas mais um salvador, talvez o principal caminho, mas não o único e necessário Salvador de tudo e de todos. E é esta e só esta a nossa fé: Jesus é o Messias do Pai, Jesus é Deus como o Pai. Jesus é o único através de quem e para quem tudo foi criado no céu e na terra, Jesus é o único caminho para o Pai, Jesus é o único Nome no qual se encontra a salvação, Jesus é o Salvador de braços e coração abertos para todos e o desejo do Pai é que todos conheçam o seu Filho bendito, nele creiam e por ele tenham a salvação. O que for menos que isto não é cristão; o que passar disso é engano. Aqui não se trata de ser intolerante; trata-se, antes, de ser verdadeiro, coerente com aquilo que se crê, corajoso de dizer a própria identidade. O que leva à intolerância não é a certeza, mas a incapacidade de dialogar e de respeitar quem pensa diversamente. Os cristãos devem e querem respeitar a tão plural realidade de crenças religiosas; pensam até que é muito melhor ter uma religião que não ter nenhuma e veem em toda religião um bom germe: aquele do coração do homem que se abre para o Infinito e procura o Rosto do Eterno... Mas, esses discípulos de Cristo sabem que somente em Jesus Deus se deu pessoalmente à humanidade, salvando-a, mostrando-lhe o caminho e doando-lhe gratuitamente a vida eterna. E este Salvador que é Jesus os cristãos têm o dever sagrado de apresentar respeitosamente, sempre e de novo, à humanidade. (*) É bispo auxiliar de Aracaju-SE.