Opinião
Dor e viol�ncia
MILTON HÊNIO * A violência tem assumido no mundo atual proporções preocupantes e alarmantes. Desde os seus primórdios a humanidade espera e sonha com a paz. Entretanto, apesar de tudo, a história ainda é escrita a partir das guerras. Tivemos duas guerras mundiais, a do Vietnã, Etiópia, Líbano e mais outras que deixaram dor, sofrimento e mortes em milhões de seres humanos. No próximo dia 11 recordaremos com tristeza um ano do ataque de Bin Laden aos Estados Unidos, onde 6 mil pessoas morreram sem motivo, apenas o ódio sendo o responsável. Mas o que tem inquietado ultimamente a nós brasileiros, é essa guerra urbana ? silenciosa e violenta ? e que não poupa ninguém. Nossos inimigos estão em nossa volta e não os conhecemos ? são assaltantes, seqüestradores, drogados, traficantes e toda sorte de lixo humano que convive conosco e em todas as cidades, principalmente Rio e São Paulo. Independente da causa porque são assim, é terrível o prejuízo que esses psicopatas provocam à integridade física das pessoas, sejam tentativas ou homicídios consumados. E essa violência se tornou uma questão pública de inquietação, que atravessa os mais diferentes segmentos da sociedade ? a classe média, as classes ricas, os populares e os trabalhadores de um modo geral, todos vítimas da maldade humana. Há poucos dias nossa sociedade foi abalada com a notícia do assassinato do jovem Gustavo Pontes Leite, dinâmico teatrólogo e cenógrafo de nossa cidade. Vi Gustavo nascer e acompanhei seus primeiros passos, seus primeiros anos de vida. Bráulio Leite e Edna, seus pais, sempre vibraram com o progresso do filho. Saudável e inteligente, Gustavo, desde pequeno, convivendo com o entusiasmo do pai pelo teatro, pela cultura folclórica, enfim, pela arte de um modo geral, seguiu os seus passos e era um vitorioso, apesar de tão jovem. De repente a tragédia: três ou quatro cafajestes, bandidos desclassificados, brutalmente roubam sua preciosa vida. Desestruturaram emocionalmente uma família que vivia imensamente feliz no Sítio Velho, em Paripueira, com a presença cativante do Gustavo. É triste, mas apesar de todo o progresso da tecnologia, ?o homem continua a ser o lobo do próprio homem.? O Bem e o Mal continuam lutando como forças antagônicas, porque o homem de ontem é o homem de hoje e será o de amanhã, com seus complexos, inveja, ódio, vivendo como um fantasma sem dar sentido à vida. Não tenho palavras que possa usar para confortar meus queridos amigos Bráulio e Edna. Entretanto, vivendo com suas encantadoras filhas e netas e seu amável genro, sempre unidos e contornados por essa belíssima natureza, espero que vocês ouvindo o murmúrio do mar, a força do vento, o balançar desse imenso coqueiral, sintam a presença do Cristo a lhes confortar: ?Não desesperem, Estou com vocês todos os dias?. (*) é médico