Opinião
Hidra contempor�nea
Ignomínia recorrente na história política da humanidade, o terrorismo reinventou-se no século 20, marcando o alvorecer do século 21 com mais impactante ato de terror que se tem notícia, o ataque simultâneo a quatro alvos nos Estados Unidos em 11 de setembro de 2001. O mundo, estarrecido, assistiu, ao vivo, o sacrifício de milhares de inocentes nas torres gêmeas do World Trade Center. Apesar de todas as declarações de praticamente todos os líderes de todos os países e dos investimentos realizados, o terrorismo segue vivo. Tal como a mitológica Hidra de Lena, monstro capaz de regenerar (e multiplicar) cada uma de suas várias cabeças que viessem a ser decepadas por seus inimigos. Hércules, o solitário herói, segundo o mito original, precisou, pela vez primeira, da ajuda de outrem para vencer a fera. Tendo apelado para o auxílio de seu sobrinho Iolau, findou por dar cabo da aberração. Na vida real, contemporânea, na ausência de semideuses, os líderes mundiais parecem seguir solitários, cada qual combatendo a cabeça da hidra que lhe tenta morder. Vez por outra, um pescoço é decepado, mas dele brota outra carranca mortal. O atentado perpetrado ontem, no Aeroporto Internacional de Domodedovo, em Moscou, reafirma a vitalidade dessa fera cruel. Assinale-se que a Rússia, desde 2004, contabiliza 505 mortos em seis atentados terroristas de maior porte, inclusa nesta contabilidade o terrível morticínio na escola pública em Beslan, em setembro de 2004, onde foram chacinados 334 reféns, a maioria crianças, por rebeldes chechenos. Aos candidatos a Hércules contemporâneos falta humildade e espírito aberto para solicitar e receber a parceria de incontáveis Iolaus, em todos os lugares do mundo, formando uma grande corrente pela vida e em luta aberta contra essa monstruosidade hodierna, insaciável: o terrorismo.