Opinião
MEU CRUZEIRO NO SEGUNDO NAVIO MAIOR DO MUNDO
São quinze horas e estamos deixando o porto de Miami no imenso transatlântico da Royal Caribbean, o Oasis of the Seas. As mansões dos bilionários, situadas nas ilhas próximas, vão ficando para trás entre edifícios que abrigam condomínios e hotéis de luxo. O céu, de um róseo azulado, surge entre compactas nuvens brancas manchadas da luz do poente. Vários barcos e iates navegam na baía. Da varanda de minha cabine aprecio essa magnífica paisagem que, aos poucos, desaparece ao entrarmos no mar alto. Só restam, agora, as águas de um azul escuro e o marulhar melancólico do movimento das ondas. O Oasis of the seas da companhia Royal Caribbean é uma verdadeira cidade flutuante. Com capacidade para 5.000,00 passageiros, fora as centenas de tripulantes. Oferece conforto e um grande número de locais de lazer como: múltiplas piscinas com ondas, jacuzzis, campo de golfe e de basketball, local para a prática de climber, pista de patinação no gelo, carrossel, cinema, capela ecumênica, salas de jogos, cassino, 4 boates, 4 enormes teatros. Todas as cabines possuem varandas dando para o mar ou para a avenida que vai da proa à popa do navio ladeada de lojas, restaurantes e bares. Um parque com árvores, plantas e passeios com banquinhos fica ao ar livre, cortando o navio de ponta a ponta, no oitavo andar. Somos noventa e uma pessoas no grupo de que estou fazendo parte. Vieram de várias partes do Brasil. Existem passageiros de todos os recantos do mundo. Ouvem-se todas as falas. Uma verdadeira Babel! A maioria dos brancos é de pessoas idosas. Há muitos negros e chineses. Quase todos estes vieram do Canadá onde os ricos ex-habitantes de Hong-Kong fundaram uma colônia, na Ilha de Vitória em Vancouver, antes de aquela região voltar às mãos da China. Mas me disseram que o governo desse País nada mudou no capitalismo da próspera cidade e hoje, ali, estão grandes milionários com todo o poder que o dinheiro proporciona. A China modificou muita coisa na sua estrutura comunista em relação à economia. Não foi à toa que se transformou na grande potência que é hoje. Reconhecia o valor da economia de Hong Kong e, inteligente, iria bem perdê-la! Mudou algumas coisas do sistema, misturando capitalismo com o comunismo, de acordo com os interesses da nação e se deu muito bem. Só não há liberdade e com o número de habitantes que possui não conseguiu acabar com a pobreza. Mas a política não atrapalha a economia. Como estou só e numa cadeira de rodas, todos querem me ajudar. Tanta solidariedade me comove. A tripulação, também, é amável e prestativa. Há espetáculos em todos os recintos artísticos, mas é preciso reservar as entradas. Como sou cadeirante e não ocupo as poltronas, entro em todos eles sem precisar desse pormenor.