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Opinião

“Rios voadores”

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Todos brasileiros que viram ou estão vendo os efeitos das enxurradas recorrentes que acontecem no Sudeste brasileiro durante o período de verão se perguntam da razão dessas calamidades. Muitos não sabem que o verão, com exceção do Nordeste é praticamente a estação de chuvas nas demais regiões do Brasil. Nessa estação, uma grande massa de ar úmido vindo do oceano Atlântico penetra na Amazônia através do Pará e regiões vizinhas, juntando-se à própria massa quente e úmida do bioma amazônico. Parte dessa colossal massa precipita sob forma de chuvas na própria região causando fortes aguaceiros localmente e enchendo os rios dessa bacia. No roteiro dessa massa, ocupando de certa maneira o dossel da floresta amazônica, parte é encaminhada para o oeste até a Cordilheira dos Andes, com precipitações nas florestas andinas de encostas, acontecendo em seguida o tamponamento pelos paredões dessa cordilheira, com o consequente desvio para o sul do nosso continente. Na continuidade do movimento dessa massa quente e úmida ocorre o seu recarregamento com a umidade do Pantanal e de outros pontos dos cerrados, descendo ao longo da nossa fronteira oeste, permeando com maior ou menor abrangência, o centro-oeste, o estado de Minas, o sudeste, o centro-sul, o sul, o Uruguai até o norte da Argentina. Essas correntes atmosféricas que nascem da interface do Atlântico com a floresta amazônica percorrendo do extremo norte do Brasil até a Argentina é verdadeiramente um conjunto de ?rios voadores?. O engenheiro, piloto e pesquisador Gerhard Moss tem pesquisado esse fenômeno, acompanhando essa corrente e capturando moléculas de água para sua identificação de origem e quantificação do volume e vazão desses canais de umidades. Como resultado dessas pesquisas, Gerard afirma que esses rios invisíveis carregam uma quantidade impressionante de umidade (água), potencial de chuvas para aquelas regiões, representada pela vazão equivalente a um rio de 3.200 m3/s, superior à vazão do rio São Francisco (2.900m2/s). Essa é a contribuição da Amazônia que acrescida da geração local de umidade e precipitação, potencializa e transforma essas regiões (RJ, SP, MG, GO, MT, PR, SC, RS, etc.) em caldeirões de tempestades, chuvas, enchentes e deslizamentos. Esses fenômenos são normais, com maiores ou menores intensidades e acontecem mesmo antes do nosso descobrimento. As chuvas recentes não ultrapassaram os índices do passado, conforme atestam os meteorologistas, com quantidades normais para essa época do ano. Na realidade, o que mudou foi o adensamento populacional dessas regiões, o aumento do grau de urbanização com a impermeabilização dos solos e as construções de obras de arte de engenharia (estrada de encosta, pontes com alturas mínimas, canalização estreita de rios e córregos, etc.) e moradias em locais impróprios (potencializados em regiões serranas). Querer culpar as supostas mudanças climáticas é esquecer a maior força natural do universo (a gravidade) e fechar os olhos para a incompetência de alguns dos nossos governantes. (*) É professor da Ufal.

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