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O g�tico portugu�s no Brasil

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É muito interessante imaginar como a partir de 1789, após a Revolução Francesa, a ruptura com o Barroco e Rococó, estilos amaldiçoados pelo absolutismo, definiu a nova paisagem urbana de tantas metrópoles. A Inglaterra, como oficina do mundo, comandava a nova era industrial, símbolo da modernidade dava lugar a idade contemporânea. O historicismo greco-romano passou a ser desenhado pelos novos ideais revolucionários até e, mesmo após, o imperialismo napoleônico. O século 19 se revestia de um romantismo, cujas raízes se aprofundavam num sentimento patriótico, onde a urbe passou a ser referência. Londres, por exemplo, adotou um Gótico Elisabetano, chamado de estilo Tudor que a caracterizou como uma cidade eternamente medieva. Paris preferiu o ecletismo romântico, cuja influência do art nouveau foi fundamental para definir o emblemático estilo primaveril do começo do século, mais tarde imitado pelo Rio de Janeiro e São Paulo. No Brasil a busca pela nacionalização de um estilo, bem que foi tentada pelo português Ricardo Severo, com o chamado ?neocolonial?, uma versão transplantada de elementos do colonial português, aqui semeados desde os tempos cabralinos, com outros traços do próprio barroco. Mas no fundo o que predominou mesmo foram todos os tipos de novidades redesenhados do classicismo greco-romano, do gótico, renascimento e do barroco, assinalados com o prefixo grego ?neos?. Ou às vezes, todos os estilos ao mesmo tempo, ao gosto da nova casta de cidadinos ricos ciosos de que o ecletismo era símbolo de modernidade e requinte. Nada mais apropriado ao estilo de vida de uma elite arrogante cujo charme aristocrático, não havia morrido com a monarquia e que a cidade ainda respirava. Mas como essa extravagante onda de romantismo não tinha limite, resolve-se dar uma sede ao Imperial Gabinete Português de Leitura, que perambulava desde que havia sido criado em 1837. E assim no dia 10 de junho de 1880 foi lançada a pedra fundamental. O estilo escolhido, qual seria? É claro, o Estilo Manuelino, nada mais português. Fachada gloriosa, encimada por imagens dos principais heróis lusitanos, coroada pela esfera armilar. La dentro espinhas metálicas compunham os ambientes enquanto colunas retorcidas sustentavam a estrutura armada, repleta de detalhes e ornamentos do próprio estilo. É claro que esse neomanuelino ressurreto ao crepúsculo do século 19 iria, sobremaneira, influenciar outras obras arquitetônicas cuja inspiração se perdia, no lampejar de uma sociedade, que florescia escandalosamente, refém dos modismos europeus. (*) É escritor.

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