Opinião
N�meros e palavras
Contra a frieza dos números pouco vale o calor das palavras. Esta é a realidade da insegurança pública em Alagoas. Não se nega lógica aos argumentos, mas são indispensáveis e urgentes resultados concretos que se reflitam nas estatísticas locais e nacionais. Verdade é que a realidade alagoana na segurança pública se deteriora há anos, não se trata de desastre repentino. Vivemos uma tragédia velha. Até por ser velha tragédia as repostas precisam ser novas. As políticas públicas para esse segmento fundamental necessitam inovar em seus conteúdos. Sem dúvida que é algo muito positivo o distanciamento da influência política/partidária das nomeações de autoridades policiais e do dia a dia dos inquéritos. Tal aproximação, ao longo de praticamente toda história alagoana, conduziu a conflitos lamentáveis e a cenas de sangue que nunca deveremos esquecer (para que jamais se repitam). Isto deve ser visto como um primeiro quesito do dever de casa. Mas o problema é que deste mesmo dever de casa constam muitas outras questões a responder. E aí, nos demais quesitos, é que a coisa está pegando. Há décadas o problema principal para a segurança pública alagoana deixou de ser o chamado ?coronelismo?. Nos últimos anos proliferou o crime organizado, aflorando quadrilhas especializadas em tráfico de drogas, assaltos de todos os tipos, sequestros e tudo mais que a ?modernidade? delinquente possa oferecer. Esses bandos passaram a banalizar o assassínio como método de cobrança de dívidas, definição de territórios e incidente ?comum? em assaltos. Tudo isso sem que tenha desaparecido velhas feridas como os crimes de mando por motivação política. Os números não podem expressar outro retrato. E precisam ser respondidos com algo mais que palavras ? mesmo que eloquentes.