Opinião
Inferno entre grades
Em qualquer lugar do mundo, em qualquer momento histórico, a questão prisional é um grande problema. Afinal estamos tratando de seres humanos apartados da sociedade humana, trata-se da tragédia da privação da liberdade. Seja pelo conceito da reeducação ou da punição, o confinamento do ser humano é uma anormalidade. Indo mais além: qual animal aceita o cativeiro? O problema é que o delito não pode ser ignorado, sob pena da destruição da base civilizatória. Seja para punir, seja para reeducar, a detenção da pessoa delituosa ainda é a única forma da sociedade se preservar enquanto coletividade. Não há como fugir disso. No caso alagoano, aos dramas dos aprisionados somam-se os anseios reprimidos dos que devem lhes prestar guarda. Os agentes penitenciários, em agitado processo grevista, fazem multiplicar as tensões entre as grades e, para além, alcança os libertos através das angústias dos familiares dos presos. Presos cujas dificuldades, vícios e mazelas são potencializadas, direta e indiretamente, pela alta temperatura do movimento reivindicatório dos agentes penitenciários. E, desgraçadamente, a dor dos apenados parece ser transformada em moeda de troca nas negociações entre uma categoria funcional e o governo. Aí parece residir o extremo da desumanidade. Algumas das denúncias feitas por familiares, descontado o calor da luta, precisam ser apuradas pelas autoridades competentes. Em termos gerais, é necessário esclarecer se procede a acusação de que os conflitos entre grupos de presidiários estariam sendo estimulados pelos grevistas. Em termos específicos, por exemplo, é indispensável esclarecer se é verdade a existência de presos em grave estado de saúde (com vísceras expostas, segundo familiares) e em completa desassistência. Ou seja, essa greve não pode findar sem que respostas a essas denúncias sejam dadas.