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Opinião

Ganharia o Oscar

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Na relação de filmes indicados para o Oscar, a bomba Lula o Filho do Brasil, fartamente financiado pelos cofres públicos, como era mais do que esperado foi ignorado, mas um despretensioso documentário, sobre os seres que vivem dos lixões brasileiros está entre os indicados para o Oscar de documentários. A latere desta nova demonstração de desperdício de recursos públicos, a semana foi farta em mostrar de que o dinheiro público continua sendo Res Nullius (coisa de ninguém) no Brasil; embora paralela e cruelmente, as carências por estes recursos sejam tão grandes e a comunidade tanto sofra pela falta de uma aplicação decente. O presidente do TCU ganha gordas quantias das entidades suspeitas que deveria penalizar; abusivas aposentadorias contemplam ex-governadores, muitos dos quais só passaram alguns poucos dias no cargo, filhas de autoridades mamam há séculos dos cofres públicos; proliferam paquidérmicas e graciosas aposentadorias em beneficiários do segundo escalão: ex-secretários, ex-presidentes de entidades públicas e outras sinecuras. Senadores conhecidos por sua militância em prol da moralidade pública, estão entre os que não dispensam as facilidades do cofre escancarado da viúva. Enquanto isto, os trabalhadores do setor privado só se aposentam velhinhos e com deploráveis mixarias. Mas o setor público nacional é uma mãe perdularíssima para os seus servidores e apaniguados e uma madrasta perversíssima para a grande maioria da população. Até em setores da inteligência nacional, onde se deveriam dar os bons exemplos, com na Academia, incontáveis professores universitários fazem longos doutorados no exterior à custa dos cofres públicos; passam 4, 5, 6 anos em Paris e logo após voltarem --- acrescidos aos seus proventos às gratificações do doutorado --, simplesmente se aposentam e nada dão em troca à comunidade que os bancou tanto tempo às encantadoras margens do Sena. Lamentavelmente, o desperdício de recursos públicos é uma norma e não uma exceção: prédios que passam noites desocupados e com milhares de luzes acesas; equipamentos hospitalares encaixotados nos hospitais públicos, enquanto a população sofre miseravelmente sem atendimento médico. No setor público ninguém tem pena do erário; como não se contém o desperdício e as contas públicas são descontroladas, a malvadíssima e voraz inflação está voltando. Se Buñuel fosse vivo, bastaria juntar este atroz material, exclamaria; ?Credo quia absurdum!? faria um filme sobre o absurdo e a crueldade públicas brasileiras e inevitavelmente ganharia o Oscar como filme de horror. (*) É médico e professor da Uncisal.

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