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Opinião

Uma esfinge eg�pcia

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Treme a terra política no mais firme aliado dos Estados Unidos no mundo árabe, o Egito. E segue incerto que poderá vir a ser o dia seguinte à onda de protestos. Qual será o resultado democrático dessa onda de indignação que varre o Cairo? Mais uma república islâmica ou uma nação mais ocidentalizada no mundo mulçumano? Com razão, o governo dos Estados Unidos posiciona-se com cautela. Washington defende a liberdade de manifestação dos opositores do governo egípcio mas não fala em ?abaixo Mubarak?. O dilema de Obama não é só dos americanos. O mundo está de orelha em pé, apoiando formalmente os protestos, mas no fundo teme as consequências de toda essa agitação de massas. Afinal, o Irã de hoje começou assim, com o povo nas ruas, no início de 1979, pela democracia, contra a ditadura corrupta e inepta do Xá Reza Palhavi (que reinou durante 38 anos e, por sinal, uma vez derrubado, asilou-se no Egito, onde veio a morrer). Por sua vez, no Afeganistão sob a tutela da finada União Soviética, a oposição islâmica foi tida e havida como a redenção democrática e a resistência armada contra Moscou foi municiada de balas e dólares a mancheias pelo governo americano e seus aliados, especialmente por meio do apoio ao rebelde saudita Osama Bin Laden... É certo que a gestão Hosni Mubarak, marcada pela longevidade de três décadas (desde 14 de outubro de 1981) não se enquadra no modelo ocidental de democracia, especialmente pelo manual de Washington. Mas a Casa Branca tem nesse substituto de Anwar Sadat o mais confiável aliado no mundo árabe. O que advirá da queda desse tipo de governança? O veiculado pelas mídias globais pouco esclarece sobre quais rumos podem ser traduzidos das vozes roucas nas ruas egípcias. Resta torcer para que o Egito não pule de um governo autoritário para cair numa teocracia fundamentalista. Oxalá!

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