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Lisboa – para turista ver

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Muita gente que visita o Castelo de São Jorge nem imagina que aquele belíssimo conjunto medieval, com torres e ameias foi ao chão no terremoto de 1755. E o castelo que hoje contempla é fruto da iniciativa do ditador Antônio Salazar, que mandou reconstruir em 1938, pedra por pedra. Mas como disse o Marques de Pombal, na ocasião do desastre: ?Enterrem os mortos e cuidem dos vivos.? Enquanto se reconstruía a cidade o lugar ficou abandonado, juntamente com outro grande monumento de Lisboa o Convento do Carmo, cujas ruinas podem ser visitadas e avistadas do terraço do Elevador de Santa Justa. Não se pode negar que a visita é encantadora. Adentra-se a porta principal através de uma ponte e no lugar de água um gramado com flores resistentes ao frio de dezembro. No entanto, além do passeio pelas ameias e recantos das torres, com direito a encantadora paisagem da capital portuguesa, apenas o espaço vazio do pátio, a música do acordeonista vendendo seus CDs, o fotógrafo e o artista solitário com suas réplicas do bestiário medieval que recria em pedra. O resto é o burburinho do entra e sai de gente fotografando tudo. Para talvez, Justificar o pagamento do ingresso, foi criada uma pequena mostra arqueológica, resultado das escavações no castelo. Mas nada extraordinário que chame a atenção. Muita gente, com certeza, não enxerga mais do que alguns cacos de cerâmica contextualizados. E isto pode ser comprovado pelo baixo quórum de visitantes que entram e saem rapidamente, em direção às muralhas. Alguns param no Restaurante Casa do Leão, espaço onde se pode avaliar uma residência medieva. Porém é na chamada Torre de Ulisses que fazem fila. É que uma câmara escura instalada no espaço permite uma visão de 360 graus de Lisboa, através de um periscópio, fazendo com que a imagem captada, pelo conjunto de espelhos reflita sobre uma mesa redonda. É o mesmo sistema das antigas câmeras fotográficas, uma tecnologia inventada no século 19. Mas não deixa de ter um efeito deletério sobre os 20 visitantes, previamente agendados, que tudo assistem no mais profundo silêncio, sem tocar na engrenagem e nem na mesa. Bem, é assim que a cidade ganha um equipamento cultural disputadíssimo, mesmo sem ser o que de melhor Lisboa tem para mostrar. A estrutura para se chegar até lá é também interessante, um bondinho antigo, chamado carinhosamente de ?Elétrico? que vai até o sopé da colina e uma Van que mais parece uma burra sendeira dando pinote pelo calçamento irregular. Mas o turista adora essas coisas. (*) É artista plástico e escritor.

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