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O pre�o da gest�o imprevidente

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Janeiro terminou e o jornalista Maikel Marques, colunista deste jornal, fez a seguinte constatação: ?Pouquíssimos prefeitos compareceram à sede da Associação dos Municípios Alagoanos, para discutir o protocolo de intenções, com vista à implantação de consórcios intermunicipais de tratamento de resíduos sólidos?. A sinergia das unidades municipais representa algo inadiável para sanear esse péssimo hábito de transformar a entrada das cidades interioranas em lixão a céu aberto. O desinteresse dos nossos gestores pela prevenção é algo que incomoda cada vez mais. E olha que as consequências estão aí coalhando páginas de jornais. Sobre destinação inadequada de lixo e ocupação ilegal do espaço urbano, o morro do Bumba, em Niterói-RJ, produziu uma tragédia que ainda hoje repercute no mundo. Sem falar nas enchentes. Mas essa imprevidência, impregnada no cotidiano dos dirigentes municipais, revela outros descaminhos, com raras exceções. É o caso das Coordenadorias Municipais de Defesa Civil, alvo de preocupação permanente do coronel Neitônio Freitas, comandante do Corpo de Bombeiros e coordenador da Defesa Civil do Estado. Todos os municípios alagoanos a criaram no papel, mas, do ponto de vista da aptidão técnico-operacional, apenas Maceió, Marechal Deodoro e Atalaia podem ser apontados com razoável preparo para enfrentar desastres e agir preventivamente em áreas críticas de seus territórios. O Sistema de Defesa Civil de Alagoas foi instituído por lei, em julho de 2000. Depois de dez anos, a lei está caducando. O drama da prevenção, do salvamento de vidas, é algo dinâmico e que necessita de constante modernização. A lei mencionada instituiu o Fundo Estadual de Defesa Civil, mas cadê recurso para desenvolver uma cultura de prevenção em nosso meio? A Defesa Civil do Estado não pode utilizá-lo, por exemplo, para realizar cursos de qualificação pelos municípios alagoanos. O conceito de defesa civil ganhou notabilidade no mundo com a Segunda Guerra Mundial, porém sempre depois da tragédia. Se apareceu na Inglaterra após intenso bombardeio, o registro brasileiro nos remete ao afundamento de navios de passageiros, em 1942. Está na hora de o governo instrumentalizar melhor o Sistema de Defesa sob o comando do Corpo de Bombeiros. Antes de tudo, a cultura da prevenção salva vidas, o que já se justifica. E faz bem aos cofres públicos, porque tudo sai mais barato. (*) É jornalista.

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