Opinião
A pol�tica cultural e as a��es sazonais
A propósito da excelente matéria veiculada no Caderno B da Gazeta, no domingo último, com o título de ?Cidadão Instigado? vale salientar que a principal razão da necessidade de uma política cultural é a tempestividade das ações. Em nenhum setor, muito menos na cultura, as coisas devem acontecer ao acaso e ao gosto do gestor de plantão. Este, por sinal tem obrigação de ouvir a população, seus pares, ou seja, outros gestores de áreas afins, como turismo, educação, logística e, sobretudo ter uma relação ampla com as lideranças do legislativo. A gestão solitária torna a cultura um objeto de decoração. Quando alguém quer fazer fita num evento põe cultura, principalmente folclore, como se o gestor cultural deva ser um fazedor de festa. O turismo e a cultura têm a obrigação de manter um calendário de eventos para ser vendido lá fora. O visitante precisa ter certeza de que naquele dia tal equipamento cultural estará aberto e que aquele folguedo, aquela banda ou aquele coro, se apresenta sempre naquele dia, naquela hora e local. As empresas de turismo não podem arriscar divulgar eventos que não estejam no orçamento do governo, com parcerias garantidas e que não tenha perenidade. Isto é um negócio, como outro qualquer. Há muito tempo a cultura deixou de ser filosofia e pouca gente percebeu. A cultura é capaz de mover uma cidade, criar e dar emprego e renda. Mas não pode ficar a mercê de ações sazonais, que deixam de existir na simples mudança do gestor. Na última quinta-feira eu via algo inusitado. A garantia da realização da Bienal Internacional do Livro de Alagoas, em outubro, pela própria Reitora, Ana Dayse Dórea, na ocasião em que a Braskem lançava o Prêmio José de Freitas Machado, no Memorial da República. O vencedor terá o livro lançado na Bienal. Em Portugal, aos domingos, os museus abrem gratuitamente das 10 às 14 horas. É claro que esta lei foi criada para atender a população local e não ao turista. O turista descobre ao acaso que não vai pagar, mas o morador sabe que não paga e pode levar toda a família. Isto é uma política cultural. Não se pode negar, o governo brasileiro evoluiu bastante nas últimas décadas. Aconteceram diversas audiências públicas, a população foi ouvida, a lei de incentivo tomou outra forma, o departamento de Museus virou um instituto, mas o presidente mudou e a equipe se foi. E este será o grande desafio para política cultural que foi implantada. Tudo tem que continuar como antes, com a cara do dono ou não. (*) É escritor