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Opinião

A racionalidade da f� crist� 2

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No nosso último artigo, refletimos sobre a dimensão racional da fé. Ainda nesse contexto, gostaríamos de apresentar algumas considerações sobre razão e fé. Os cientistas hoje, em sua grande maioria, jactando-se de sua própria ciência, afirmam a pujança de suas descobertas e o primado da razão, apontando os frutos do progresso como o grande benefício para a humanidade. Nesse ambiente, a ética entra em debate. Mas uma ética utilitarista que, em síntese, busca justificar pela finalidade (o bem-estar, a longevidade) os meios e os recursos utilizados pelos estudiosos. No entanto, quando mais avançamos no conhecimento, mais infelizes somos. É interessante observar: quanto mais bugigangas a nossa sociedade dispõe, quanto mais encontra formas de prolongar a vida, mais ansiosa, fóbica e depressiva se torna. O progresso que garantiria o bem-estar, não conseguiu dar respostas ao inquieto coração humano. E por que isso acontece? Porque com a ditadura da razão, mãe do relativismo moral e ético, o mundo ocidental adentrou naquilo que chamamos de imanentismo. Ou seja: as respostas para tudo estão aqui, na imanência. Fechamo-nos em nós mesmos, naquilo que é factual, naquilo que se pode verificar, no ?provável?. Esquecemos, enfim, que a natureza humana é aberta à transcendência, a valores mais profundos. Em outras palavras: a ciência não conseguiu dar uma base segura à dimensão ética e espiritual do ser humano. A religião, e aqui falamos do Cristianismo, é a via que coloca em marcha essa dimensão espiritual do homem, falando-lhe da Vida em plenitude. O Cristianismo apresenta à humanidade uma revelação que não fere e não sufoca a sua razão, mas pede para ser acolhida, assentida, religando as diversas dimensões presentes em cada pessoa. A fé ilumina a razão e a razão desmitifica a fé. Afirmar a ciência como a palavra final para todas as facetas da existência humana é condená-la a viver exilada de si mesma. Conforme afirmamos no artigo passado, o acesso à diversidade do real exige diversas vias. Ciência e religião são dois desses caminhos. Como nos diz o grande papa João Paulo II, no início de sua carta encíclica Fides Et Ratio (Fé e Razão), a fé e a razão constituem como que as duas asas através das quais o espírito humano se eleva para contemplar a verdade. Qualquer voo somente com uma dessas asas está condenado a ser um voo raso, cujo ponto de chegada será a contemplação de verdades parciais. (*) É psicólogo ([email protected]).

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