Opinião
Das ruas �s celas
Tem muitos anos o fato de Alagoas fazer parte da lista dos Estados com maiores e crônicos problemas que necessitam de soluções urgentes e efetivas no sistema penitenciário, que, no ano passado, quando o coronel Dário César, atual secretário de Defesa Social ainda era o intendente, já apresentava a sua população passando de 1.647 para 2.242 em um ano e com dois terços da mesma sem condenação. A superlotação e deficiências estruturais e a falta de servidores concursados e de melhorias nas condições de trabalho vinham sendo, há bastante tempo, causas de preocupações e de reiterados alertas. A julgar pelos acontecimentos mais recentes, entre os quais as mortes de três detentos, vai demorar até deixar de ser mais um fator negativo na imagem do estado. Mais uma semana chega ao fim com os diversos segmentos da população sem informações suficientemente esclarecedoras acerca das causas e dos culpados pelos fatos que motivaram novas denúncias de torturas e de assassinatos dentro e fora das celas das repartições do setor. Poucas semanas antes das notícias sobre esses três últimos presos encontrados mortos, e do agravamento da insatisfação dos agentes penitenciários, que resultou em mais um movimento grevista, repercutiu, de forma mais ampla possível, logo gerando reações com protestos e cobranças de medidas urgentes de órgãos públicos e de entidades defensoras dos direitos humanos. As ocorrências deploráveis e violentas como estas e as diversas formas de ações criminosas que têm sido registradas nas ruas das cidades e no meio rural, não terão fim ou não serão reduzidas de maneira significativa já no futuro próximo, enquanto as decisões necessárias não passarem dos discursos e dos anúncios das autoridades competentes feitos nos primeiros dias ou nos primeiros meses após as datas dos respectivos crimes.