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Em mem�ria de um IML

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Às dez da manhã de uma terça-feira, dia 21 de setembro de 1965, inaugurava-seo Instituto Médico-Legal Estácio de Lima no bairro do Prado, Maceió, em sede própria de dois andares, numa área de 700 metros quadrados e anexa à Faculdade de Medicina. A instituição médico-jurídica, já integrante da universidade federal, teve em Luiz Duda Calado (1926-1995) seu primeiro diretor, cujo perfil pragmaticamente técnico sustentou-a por três decênios. O IML era o estuário de uma travessia iniciada ainda em fevereiro de 1935 pelo professor de Medicina Legal José Lages Filho (1910-1997), quando o então interventor Osman Loureiro de Farias, penalista esclarecido,designava seu colega da Faculdade de Direito para estudar, em Salvador e no Rio, um plano de reorganização do Serviço Médico-Legal, cujas perícias eram, um tanto improvisadamente, efetuadas em instituições de assistência ou de segurança pública, a exemplo do Hospital de Caridade São Vicente de Paulo (Santa Casa de Misericórdia) e do Instituto de Identificação, como também ?in loco?em residências ou pelas cidades interioranas. ?Preparei um relatório que reputo ter sido o documento que marcou o início da Medicina Legal no Estado?, o próprio Lages Filho rememorará décadas depois em suas inéditas memórias; memórias que estão sendo publicadas em ensaio biográfico nosso de iminente lançamento. Em julho de 1951, Lages Filho se bateria pela fundação de um IML no seu Estado. Logo depois de inaugurada a primeira instituição médica de ensino superior nas Alagoas, o jornalista e então governador Arnon de Mello enviara-o à Bahia, ao Rio e a São Paulo, a fim de que o médico alagoano,analisando os institutos Nina Rodrigues, Afrânio Peixoto e Oscar Freire, lançasse a pedra fundamental que homenagearia seu querido conterrâneo e ex-professor Estácio Luiz Valente de Lima (1897-1984), catedrático de Medicina Legal na terra de Jorge Amado. Demasiado se fala no Brasil, e no maior dos volteios retóricos de papagaio, em ?preservação do patrimônio material e imaterial?, quando, na verdade, gritam-se restaurações que melhor se denominariam reparos; improvisam-se reformas e, insensivelmente, apagam-se o passado e os nomes das instituições; e derramam-se cifrões que poderiam ser melhor destinados à continuada revitalização de obras já existentes na capital e no interior. Em meio à dialética do ?inaugurar? versus o ?reestruturar?, que não nos esqueçamos, todavia, dos que batalharam pela Medicina Legal nas Alagoas; dentre os quais, e ademais daqueles, José Carneiro de Albuquerque, Valdemar da Graça Leite, Jacques Azevedo, Ib Gatto Falcão, Rodrigo Ramalho, José Lopes de Mendonça, Arggeu Pessoa e Geraldo (Guaraçuma) Alves dos Santos. (*) É sociólogo.

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