Opinião
Nossa Ufal e nossa Santa Casa
Numa trajetória de 50 anos bem vividos, nossa Universidade, com satisfação, assisti o desfilar do tempo e os incontáveis seres humanos que por ela foram beneficiados em todas às áreas. Nossa estimada Ana Dayse, companheira dedicada da Academia Alagoana de Medicina, tem a honra de ser a dinâmica reitora de nossa universidade, no momento histórico em que ela comemora o seu cinquentenário. Drs. Aristóteles Calazans Simões, Nabuco Lopes, Manoel Ramalho, João Azevedo, Fernando Gama e Rogério Pinheiro, foram os outros alagoanos que dignificaram a Reitoria de nossa Universidade. Construída por um grupo de idealistas num momento de confiança e de fé, nossa Ufal iniciou os seus passos acolhendo a nossa querida Faculdade de Medicina que já existia há cinco anos. Terminei o meu curso médico em 1962, já como aluno da Ufal. No seu livro Destino, Humberto de Campos faz referência a um conto oriental, em que uma ave gigantesca, chegando à velhice, voa para o ponto mais alto da montanha onde tinha o seu ninho e de lá deixa rolar suas penas, como último tributo à vida. Assim são os homens de letras, são os antigos professores aposentados de nossa Ufal. Quando de si tudo deram, e a vida nada mais tem o que lhes oferecer em termos profissionais, deixam como espelhos vivos de suas ideias e filhos diletos de seus sentimentos os livros que escreveram, os trabalhos que publicaram, porque serão eles a presença de sua vida sentimental. O cortejo de milhares de seres humanos que ontem e hoje foram e continuam sendo beneficiados e favorecidos por nossa Ufal, é a maior das apoteoses que os alagoanos conferem a esta grandiosa instituição, que sempre ensinou e continua a fazê-lo, que a vida é uma missão cuja maior felicidade é viver. Particularizando a minha área médica, a nossa Faculdade de Medicina desde os seus primeiros passos até hoje, teve o grande apoio da Santa Casa de Misericórdia de Maceió na sua importante missão de ensinar a arte de curar. Dr. Ib Gatto foi o pioneiro, o grande idealizador desse convívio e lá em suas enfermarias, eu e tantos e tantos médicos aprendemos a verdadeira medicina. Lembro-me com saudade e emoção de muitos velhos professores que examinavam com paciência e precisão seus doentes. A figura do indigente era tratada com amor e carinho, aprendendo como é bela e nobre a nossa profissão, trazendo alívio aos angustiados e consolo aos que sofriam, levando um pouco de esperança a cada desenganado. É um relicário de princípios que muitos deles guardo na memoria, constituindo para mim o mais precioso tesouro de exemplo prático de viver. Hoje a velha Santa Casa de Misericórdia de Maceió, tem como provedor o meu caríssimo amigo Dr. Humberto Gomes de Melo, super entusiasmado e dinâmico e a colocou atualmente entre as cinco Santas Casas mais organizadas do País. (*) É médico ([email protected]).