Opinião
Balan�o oportuno
O balanço publicado pela Gazeta, no domingo último, sobre o amontoado de problemas dos mais lastimáveis nos presídios alagoanos, já pode ser considerado o documento dos mais valiosos sobre o assunto, trazido, até agora, ao conhecimento da opinião pública. O texto não pode deixar de ser usado para uma discussão mais ampla e urgente com o envolvimento das instituições governamentais e não governamentais, antes que as soluções sejam ainda mais difíceis não apenas paras os atuais e futuros detentos. A matéria, além de informar acerca de fatos registrados no sistema carcerário ?bruto?, agravado cada vez mais pela falta de meios adequados de funcionamento das suas unidades, indica que estas vivem ?quase sempre superlotadas e sob tensão permanente?. Também refere-se às denúncias comprovadas de torturas de presos, muitas das quais sem as devidas punições dos envolvidos. Menciona uma das causas de todo esse cenário ? os ?milhões de reais desperdiçados em projetos errados, presídios frágeis e sem sem estrutura?, e ainda apresenta o total vergonhoso e amedrontador de 50 assassinatos dentro das casas de detenção nos últimos seis anos. As soluções ideais, reclamadas e lembradas com insistência, principalmente quando há ocorrências de maiores repercussões pela imprensa, não surgirão, enquanto o Estado, conforme vem sendo reiteradamente alegado pelas próprias autoridades da Secretaria de Defesa Social, esperar ajuda financeira de fontes externas, inclusive para restaurar ou reformar boa parte das delegacias onde os próprios policiais são os primeiros que têm denunciado o descaso em relação às piores condições desses seus locais de trabalho. Enquanto isto, passamos a ser, proporcionalmente, em relação à população, o Estado com o maior índice de assassinatos por armas de fogo. Foram mais de 2 mil só no ano passado.