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Opinião

O Egito de Mubarak

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O presidente Mubarak, do Egito, desejava se perpetuar no poder como uma esfinge que se julga intocável em sua soberba, postergando e relegando a um segundo plano os sonhos e anseios de seus concidadãos. Esqueceu que a política é dinâmica e produz seus resultados independentemente de nossos desejos em contrário. Assim é a vida, quer queiramos ou não, quer gostemos ou não, assim também é a política! As mudanças que possibilitaram as conquistas de direitos da humanidade não ocorreram sem a contestação ao ?status quo? vigente e como bem asseverou Ihering ?só puderam ser alcançadas através de séculos de lutas intensas e ininterruptas?. Vemos isto ocorrendo hoje no Egito e deste processo Mubarak não pode escapar. Faz parte do tecido social a oposição de idéias, mormente em circunstâncias que não autorizam céus de brigadeiro ou mares de almirantado como a péssima situação econômica egípcia. Só assim se constroem as alternativas que possibilitam os avanços e progressos almejados por todos. Sem o debate de ideias e sem o confronto de metas a humanidade permaneceria forçosamente estagnada e em consequência não haveria progresso. Deepak Chopra ensina que ?a vida é a coexistência dos opostos?, e acrescento que sem ela, pacífica ou não, afundaríamos em nossa própria ignorância. A discussão das idéias deve ocorrer continuamente e mesmo que decorra muito tempo sem quaisquer mudanças, mais dia, menos dia, elas serão reclamadas como as que hoje assistimos no Egito. Faltou ao presidente Mubarak o elemento fundamental da obediência à alternância do poder, princípio de civilidade e propulsor da democracia. Ao povo desperto não mais surte efeito o uso da violência como meio de intimidação a exemplo do que assistimos na Praça Tahrir. Não se controlam as mentes dos que desejam a liberdade da escolha e anseiam por melhores dias. O povo egípcio cansou de Hosni Mubarak, deseja sua saída pura e simplesmente e não vai se contentar com menos do que isso. Conta uma fábula de Andersen a estória de um príncipe mau, arrogante e ambicioso que não olhava os meios para atingir os seus fins. Inebriado em seus desejos tentou ele repetidos assaltos aos céus até que um dia Deus lhe enviou um enxame de abelhas. Uma delas picou o príncipe no ouvido produzindo tamanha dor que ele enlouqueceu ao ponto de dançar nu diante de seus soldados. Este é o risco que corre hoje o presidente Mubarak. (*) É promotor de Justiça e professor da Ufal.

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