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Os concursos p�blicos nos governos Lula e Dilma

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Segundo dados coligidos pela ANPAC, o serviço público é responsável por 20% da população trabalhadora do Brasil, enquanto na Europa a média saudável é de 25%, e países com percentuais superiores a esse apresentam-se com problemas, como é o caso da França com 28%. Apesar de nos oito anos de Lula terem crescido as contratações, elas, apenas e no máximo, acompanharam o crescimento populacional. O forte crescimento econômico do País, que vem incrementando a indústria, o comércio e os serviços, está mostrando a urgente necessidade de ampliação dos cargos e funções públicos já existentes, bem como a criação de novos que atendam às necessidades das tecnologias em desenvolvimento. Os futuros eventos esportivos internacionais de 2012 e 2014 reforçam os argumentos anteriores no sentido de que se deve esperar um grande reforço da máquina pública para que o País se organize a ponto de atender bem à população que, apesar dos últimos esforços governamentais, continua atualmente pouco e mal assistida. O ex-presidente, pelo Decreto 6.944, de 21 de agosto de 2009, ensaiou um passo na direção de unir em um só instrumento os esparsos artigos de diferentes leis, já vislumbrando a necessidade de organizar o setor. O ano de 2010 causou um estrago fenomenal no mercado ?concurseiro? e demonstrou que a chamada ?Lei dos Concursos? não pode esperar mais para evoluir. No primeiro semestre do ano passado, com a copa do mundo, o País se refestelou e, infelizmente, com ele, os servidores encarregados da programação dos concursos. De repente, acordaram atrasados e, na correria, em função dos prazos das eleições, soltaram todos os editais juntos ? houve semanas com publicação de dezenas, com prazos curtíssimos e insuficientes. Foi um ano em que se ofereceram 220 mil vagas no País inteiro, mas, com os concursandos desnorteados pela avalanche de tão diferentes cargos, além de atropelados pelos prazos extremamente exíguos ? por exemplo, editais indicando 21 matérias para serem estudadas em 20 dias! ? estima-se que a movimentação de inscrições resultou na metade do que poderia ter sido. Uma perda lastimável! Também contribuiu para esse desânimo dos candidatos, as muitas denúncias, suspeitas de fraudes e escândalos que permearam o último ano, fatídico até na derradeira quinzena natalina, quando, na aprovação do orçamento para 2011, foi divulgado que os concursos serão adiados para depois de março ou abril, informação responsável por novo esfriamento da maioria dos concursandos, embora muitos não se deixem esmorecer pelas notícias ocasionais. O que os dez milhões de concursandos do Brasil esperam da presidente Dilma, da ministra do Planejamento Miriam Belchior e de todos os políticos interessados no fortalecimento e melhora do Serviço Público nacional, estadual e municipal é que ? mesmo os editais sendo lançados depois ? que se divulguem imediatamente os concursos possíveis para o primeiro semestre deste ano e as matérias envolvidas, a fim de os interessados organizarem seu tempo de estudo. (*) É presidente da ANPAC (Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos).

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