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Concentra��o e renda

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HUMBERTO MARTINS * Em matéria de concentração de renda, incontáveis personalidades, em postos de mando, adotam o princípio do faça o que eu digo não faça o que eu faço. Criticam essa deformação da economia brasileira mas nada fazem, na prática, para inverter essa situação. O Relatório sobre Desenvolvimento Humano (IDH) 2002 na Organização das Nações Unidas, ONU, denuncia que aumentou no Brasil a concentração de renda, que já é uma das mais graves do mundo, atrás somente de três nações africanas muito pobres. Apesar de continuar com uma situação péssima no que pertine à concentração de renda, o Brasil fez tímidos progressos em matéria de índice de desenvolvimento humano, passando de 75o para 73o lugar. Concentração de renda e IDH são profundamente vinculados. Quanto maior a concentração de renda, menor o IDH. Comparando com algumas nações pobres e atrasadas do mundo, a posição do Brasil em matéria de renda concentrada é chocante. Só Serra Leoa, República Centro Africana e Suazilândia, três dos mais indigentes países africanos, estão em situação pior do que a nossa. Em situação melhor do que o Brasil, com uma distribuição de renda mais homogênea e, conseqüentemente, menos desigual, estão todos os países desenvolvidos e, surpreendentemente, entre outras nações, as subdesenvolvidas Nicarágua, África do Sul, Paraguai, Colômbia, Chile, Honduras, Guiné Bissau, Lesoto, Guatemala, Burkina Fasso, México, Zâmbia, El Salvador, Papua Nova Guiné, Nigéria, Mali, Níger, Gâmbia, Zimbábue. ?Dados do Relatório de Desenvolvimento Humano de 2002, divulgados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Humano, PNUD mostram que o crescimento do Índice de Desenvolvimento Humano, IDH, brasileiro, nos últimos cinco anos, desacelerou?, revela reportagem da jornalista Leila Suwwan em recente edição da ?Folha de São Paulo?. Na mesma edição, o jornalista Clóvis Rossi, após noticiar e comentar a situação do nosso país em matéria de concentração de renda, afirma que o chefe do Poder Executivo do País - a quem o repórter ouviu sobre o assunto ? acha que, apesar dos obstáculos, a tendência da situação social é melhorar. Roberto Martins, presidente do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas, lembra que ?as mudanças na distribuição de renda de um país grande como o Brasil levam décadas?. Embora ele considere indiscutível o fato de o Brasil ter uma das piores distribuições de renda do mundo. O assunto é um dos temas mais debatidos da atual campanha eleitoral, senão o principal. Na verdade, somente se garante o desenvolvimento, buscando erradicar a pobreza e a marginalização, com a redução das desigualdades sociais e regionais, com uma justa e efetiva distribuição de renda. É de bom norte declarar que a concentração de renda no Brasil gera discriminação de pessoas, acentuando, assim, o índice de exclusão social. Não se pode esquecer que na construção de uma sociedade mais livre, justa e fraterna é imprescindível a preservação da dignidade da pessoa humana, pois não existe cidadania no sentido ?lato sensu?, com a concentração de renda em favor de poucos em contraste com a grande maioria de necessitados. * É DESEMBARGADOR DO TJ/AL.

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