Opinião
Oficinas
DOM FERNANDO IÓRIO * Não faz muito, reuniram-se, por vários dias, no Centro de Treinamento da Diocese, de Palmeira dos Índios, alguns membros da família das Oficinas de Oração e Vida, na procura da contemplação do Rosto de Jesus que é o mesmo ontem, hoje e sempre. E nessa procura, reuniram-se para uma intensa experiência de Deus. Fiz-me presente por 60 minutos, quando a todos dirigi minha palavra. Desfrutei de intenso gáudio, ao encontrar-me com várias amigas, entre as quais antigas alunas minhas. Foi um deleite deparar-me com Maria José Casado, Zelda, Marta Azevedo, Margarida Melo e outros tantos e tantas da Maceió de meus sorrisos. São pessoas que fazem a experiência da oração, através das oficinas do aprender sempre a rezar, suplicando, constantemente, a Jesus, como os apóstolos: ?Senhor, ensina-nos a rezar? (Lc. 11,1). Estavam reunidos para intensa experiência de Deus, na oração do encontro de que nos fala Anselm Grun, em ?Se quiser experimentar Deus?, obra de alta riqueza da intimidade com Deus. Sabem os guias que sua tarefa não é somente aplicar, na Igreja, Oficinas, mas estimular outros projetos de evangelização, sentindo que a audácia criativa é preferível à prudência paralisante. Como podemos experimentar Deus hoje? Responde Grun: ?Experimenta Deus quem aguça os seus sentidos para o que acontece derredor: o próximo, a natureza e o próprio íntimo. Deus, então, mostra-se-nos, fala-nos, deixando-se apalpar, gustar e degustar?. Hoje, num mundo de pressa, sem tempo para a prece, há pessoas que não se contentam em, apenas, crer em Deus. Querem experimentar o Senhor e Seu amor, querem estar em relação pessoal com Ele. Querem senti-LO. Como falar sobre tamanha experiência? A rigor, todo discurso humano sobre Deus é inadequado. Deus é e permanece inefável, indizível. Falar de Deus seria a arte de fazer o indizível tornar-se presente, sem pretender explicá-lo, sem querer reduzi-lo ao nível da inteligência humana. Quem melhor pode expressar-se sobre o que é inefável são os poetas, como um PaulCelan e um Jorge de Lima, que procuraram, em seus poemas, expressar em palavras o que não pode ser dito em palavras? Não me é possível, portanto, explicar a experiência de Deus; posso, apenas, encontrar nas espessuras da alma espaços que se possam abrir. A partir daí necessita de atenção a experiência de Deus. Nesse particular, nada se faz de passagem, com pressa. Tem-se de penetrar no espaço sagrado onde Deus adquire aquele sentido. Nesse espaço o Ilimitado tornar-se-á presente para ser ouvido em cada nota musical, em cada imagem, sentido em cada palavra. Alegrar-me-ei (e não com pouco júbilo) quando vocês das Oficinas de Oração e Vida retornarem a Palmeira dos Índios para mais uma Experiência de Deus. De certo, as palmas das palmeiras de Palmeira baterão palmas. (*) É BISPO DE PALMEIRA DOS ÍNDIOS