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IPTU, impostos e n�s

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Há alguns anos o bairro de Boa Viagem, em Recife, foi sede de um movimento inusitado: a Associação dos Moradores da Avenida Boa Viagem (AMABAV) liderou um movimento que pregava o não pagamento de IPTU,conclamando todos os seus milhares de moradores a participar do movimento com um único slogan: ?Desobediência Civil Já!?. O movimento foi vitorioso. O IPTU é um dos vários tributos que atormentam e sobrecarregam o contribuinte brasileiro, um dos que mais pagam impostos no mundo e que menos tem retorno dos serviços públicos pelos quais muito paga.Em tese, o IPTU tem destinações das mais nobres, e pessoalmente ainda estou em dia com este e outros tributos; tento fazer a minha parte. As razões pelas quais a AMABAV pregou aberta e acintosamente a Desobediência Civil através do não pagamento do IPTU foi principalmente a realização naquele bairro ? onde se paga o mais alto IPTU da cidade ? do Recifolia, prévia carnavalesca que ali se realizava anualmente. E todos sabem que Recife tem para muitos (para mim inclusive) o melhor carnaval do País; o festejo de Momo está entranhado na alma pernambucana e nem por isso a classe média aceitou e compactuou com o caos que aquele festejo levava ao seu habitat. A prefeitura terminou usando o bom senso e atendeu ao clamor da comunidade: o Recifolia acabou. Estamos vivendo um período do ano no qual os muitos impostos pesam no nosso orçamento, entre os quais está o IPTU. A latere, a inflação volta ameaçando levar para o brejo todas as conquistas materiais recentes, penalizando principalmente as camadas sociais mais desfavorecidas. O pacote anunciado pelo ministro Mantega de corte de gastos de 50 bilhões do orçamento federal surge como principal ferramenta para tentar controlar a inflação. Embora fosse ansiosamente esperado, o pacote de Mantega não tem credibilidade: afinal os que vão conter os gastos públicos são os mesmos que os criaram e proporcionaram a farra de gastos públicos dos últimos 3 anos;entre as quais, infelizmente, estava a presidente Dilma (que tem acertado tanto neste início de seu governo), ou será que ela não era a pessoa mais próxima do ex-presidente Lula?Não pode fazer nada? Entre as medidas de contenção dos estratosféricos gastos públicos, está a implementação de uma auditoria para examinar as contas públicas.Nem parece ser um governo de continuidade. Caso tivessem sido eleitos, os tucanos não poderiam ter uma idéia melhor. Fica a questão: a voraz base aliada e o aparelhamento do governo vão permitir que estas medidas saneadoras sejam implementadas? (*) É médico e professor da Uncisal.

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