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Os Filhos da Lua

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Das personagens, que Cláudio Vieira cita em seu mais recente livro Os Filhos da Lua, a que realmente conheci foi Ariston. Vivia alojado no educandário de minha família, o colégio Guido, onde lhe davam pouso. Quando estava sóbrio era uma pessoa capaz. Gostava de trabalhar, fazia qualquer serviço. Mas na fase da bebedeira, usava o braço direito em curva na boca e saía cantarolando o Hino Nacional. Em época de passeata do colégio, gostava de gritar ?Colégio Guido, colégio Guido! Entusiasmava-se, repetindo alto esses nomes, como se toda sua vida estivesse ali. Nessa fase, se encontrasse uma de nós, professora do colégio, gritava nosso nome bem alto, preso a sua enorme euforia. Entretanto, apesar de tudo, creio que Ariston era muito apegado a nossa família. Uma vez, estava em pleno comércio, quando o avistei. Ele vinha em minha direção, meio cambaleante. Pelo seu aspecto, não estava nada bom. Gelei. Temi ouvir meu nome gritado no meio de toda aquela gente. Mas nada aconteceu. Olhou-me rapidamente como se houvesse certa cumplicidade e seguiu caminho. Talvez Ariston fosse uma criatura que hoje em dia se costuma classificar como uma figura bipolar. Ora estava tranquilo, ora eufórico. Passava períodos calmo, de verdadeira abstinência. Tornava-se tão responsável! Servia a todos que precisassem dele. Depois, a coisa girava. A bebida tomava-lhe conta. E então vinha a cantoria de sempre. Conheci rapidamente Miss Paripueira. A sua eterna maluquice, com sua aparência bizarra, usando saia colorida rodada, coberta de bijuterias, chamava a atenção de todos. Quanto aos outros personagens, como Toré, Catrevage ,Pafinha, Major Fusco, Colorau e outros, não os conheci. Mas fazem parte dos tipos inesquecíveis de nossa cidade que o autor tão bem retrata. Cláudio Vieira, neste seu recente livro Os Filhos da Lua, constrói a frase com uma rica linguagem coloquial. Apresentando uma visão ?com?, deixa-nos próximo do autor. Trabalha bem as diversidades de costumes e as diferenças mentais. O livro lembrou-me o escritor Machado de Assis. Não precisamos de autores de fora para se ter uma boa literatura. Nós a temos aqui mesmo. O livro de Cláudio Vieira é digno de ser lido. Muito bom mesmo. Se ?de perto ninguém é normal? na linguagem psicológica, ou como diz Freud ?todo homem é um conflito?, fica evidente a conclusão proposital criada pelo autor: quais são os anormais neste livro? (*) É escritora.

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