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Opinião

Os livros raros mais perto do pesquisador

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Há, pelo menos uma década, as maiores bibliotecas do mundo eram verdadeiros santuários, impenetráveis. Tocar uma obra rara, um incunábulo, um manuscrito, uma imagem ou um mapa antigo era um privilégio de poucos. Antes de empreender uma pesquisa o historiador precisava cortejar os catálogos, quando havia, e a muito custo conseguir uma cópia junto a entidade, às vezes até pessoalmente. O século 21 aproximou o pesquisador do livro. A necessidade de preservar as obras raras do manuseio constante exigiu a digitalização definitiva. Fisicamente, as obras raras se tornaram tesouros ainda mais preciosos. As cópias foram para as Bibliotecas Digitais, na internet, para serem vistas e impressas por qualquer pessoa. Isto foi uma revolução no campo da pesquisa. Primeiro, porque obras de referência vieram à luz. Textos originais e até manuscritos podem hoje fazer parte de uma bibliografia, onde no máximo era possível fazer uma citação, compilada por outro historiador. Depois, porque democratizou o acesso ao livro. O próprio Google, considerado o oráculo do milênio, possui uma grande biblioteca a disposição de qualquer um. A maior novidade no campo das ciências é que a verdade histórica deixou de ser um paradigma e se abriu ao campo das especulações. 1808 e 1822 de Laurentino Gomes é um exemplo. Mostra como o trabalho de pesquisa se tornou mais célere.Qualquerhistoriador hoje possui um vasto acervo a sua disposição sem sequer, sair de sua própria casa, cidade ou país. O Brasil tem sido um dos pioneiros na informatização de seus acervos. A começar pela Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Esta, juntamente com a Biblioteca da USPtalvez sejam as mais bem dotadas de um sistema monumental de pesquisa. Nem a Biblioteca Nacional de Portugal, nem o Instituto Camões, o Arquivo Ultramarino, a própria biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, possuem um sistema de pesquisa tão facilitado. Isto, sem falar nos formatos de leitura, na rapidez dos downloads, na possibilidade de guardar o arquivo no HD. O melhor: o prazer que dá o acesso a essas obras. As descobertas, a história e o conhecimento se revelando aos olhos do leitor com a mesma facilidade de pegar o livro na estante. Mas este não é um mundo para os esquivos da informática. Teimar em se manter distante é como rejeitar o futuro. E para este futuro não há limite de idade. Ninguém é velho demais para acessar as novas mídias. É o futuro messiânico da informação para uma geração de eleitos. (*) É escritor

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