Opinião
Pela liberdade
Os levantes populares em países árabes e do Oriente Médio dão notícia de como ainda estamos longe de um mundo em paz, sob regimes plenamente democráticos. Democracia, nessas regiões agora vivendo terremotos políticos provocados por protestos de rua, é algo distante. Ditaduras de décadas persistem num planeta globalizado, em que as fronteiras e valores podem ser compartilhados em paz ? pelo meno em tese. As imagens reproduzidas em todo o mundo refletem o desejo reprimido de milhões de pessoas por uma vida de liberdade, de respeito aos direitos individuais. É espantoso também constatar que esses governos autoritários e violentos sempre contaram com o aval das potências do Ocidente, sem que seus governantes cobrassem nada dos ditadores. Nesses dias, mais uma vez, constata-se algo comum em alguns momentos da história: a força do protesto popular acaba arrastando à causa todos aqueles que até então estavam omissos. Tunísia, Egito, Líbia, Irã e tantos outros países sofrem, em pleno século 21, com governantes cuja ?legitimidade? está no uso da força, da violência e do terrorismo de Estado. É importante que o Brasil ? orgulhosamente se apresentando como ator global ? firme posição clara diante desse quadro. Não deve agir como em passado recente, com posição ambígua diante de brutalidades contra seres humanos, para não se indispor com parceiros comerciais. Tão grave quanto as alegações econômicas é o alinhamento ideológico para justificar o apoio a assassinos travestidos de estadistas. O começo do governo Dilma Rousseff coincide com essa onda de protestos do outro lado do mundo. Ela tem a chance de fixar uma imagem melhor do que a do presidente que a antecedeu. Deve reafirma o apoio incondicional à liberdade e aos direitos humanos.