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A redescoberta do mist�rio

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No jargão teológico cristão, a palavra mistério possui um significado todo particular. Uma realidade misteriosa não se refere a algo inacessível, obscuro. Ao contrário, quando falamos de mistério na fé cristã, apontamos para uma realidade passível de ser conhecida. No entanto, a compreensão do mistério não o esgota, pois este sempre nos escapa, sempre tem algo de novo a nos revelar e algo a ser ocultado. Por exemplo: o mistério do próprio Deus na sua essência Una e Trina é conhecida pela revelação que Ele fez de Si mesmo; porém isso não significa que conhecemos Deus plenamente. Ele é sempre o totalmente Outro, sempre pronto a ser descoberto. E por que falamos do significado de mistério aqui? Porque as realidades criadas, de modo particular o ser humano, traz em si as marcas de Deus. O homem e o mundo possuem uma dimensão mistérica. E esta dimensão, no decorrer dos anos, vem sendo esquecida, negligenciada. O resultado é um mundo cada vez mais desencantado, construído por relações desumanas. Contemplando a perfeição das coisas criadas, o homem aprendeu a rezar. Sim, independente de sua denominação religiosa (ou mesmo sem ela), o ser humano descobriu, no silêncio da natureza, a presença do mistério. Ali reside sempre algo a ser descoberto, algo novo que revela a beleza sempre presente no mundo. O avanço da ciência, a técnica que tudo buscou dominar, deu-nos a falsa sensação de que está tudo dominado, sob controle. Tudo é previsível. O lúdico desapareceu, já não há mais razões para se extasiar diante do Belo. Tornamo-nos adultos demais para isso. No âmbito das relações humanas não foi diferente. O avanço das ciências humanas deu-nos respostas para tudo. Não que estas áreas do conhecimento tenham nos prejudicado. Muito pelo contrário, muito fizeram para o avanço humano. O problema foi o que fizemos com isso. Mais uma vez enchemo-nos de tamanha autossuficiência que esquecemos: em última instância somos mistério. Ninguém pode ser esgotado por essa ou aquela teoria ou abordagem. Somente a relação dialógica, face a face, revela quem somos, ao mesmo tempo em que nos oculta. E a riqueza da vida reside justamente nisso: vivermos a aventura de descobrir o outro. Perdemos de vista, infelizmente, o aspecto lúdico e imprevisível também nas relações humanas. O outro que está agora ao seu lado, seja ele seu parente, cônjuge, namorado, amigo, companheiro de trabalho é um mistério único convidando você a descobri-lo. Corra o risco, esse é o encanto da vida. E junto com esse outro redescubra a alegria de rezar diante de um mundo sempre pronto a ser desbravado. (*) É diácono ([email protected]).

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