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Amanh� tem anivers�rio do Pinto

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Fundador da Escola de Samba Vai Como Pode (que mais tarde se tornaria Portela), entre outras tantas de que participou, criador da figura de porta-bandeira e do mestre-sala, Heitor dos Prazeres, foi uma figura ímpar no cenário cultural brasileiro: pintor primitivo e compositor talentoso,marcou a rica cultura carnavalesca nacional também pelas brigas com alguns de seus colegas compositores,como aquela desenvolvida com o também célebre Sinhô. Ocorre que Sinhô, considerado o Rei do Samba por ser o mais profícuo compositor de seu tempo, desenvolveu uma rixa histórica com Heitor, que acusava Sinhô de lhe ter roubado vários sambas, a exemplo do clássico ?Gosto que me enrosco?. A contenda levaria Sinhô a proferir a célebre frase: ?Samba é como passarinho, é de quem pegar?. Deste deboche, Heitor compôs dois sambas satíricos: ?Olha ele, cuidado!? e ?Rei dos meus sambas?. Para sorte nossa ambos compuseram grandes músicas de carnaval. Em Pernambuco, a briga, se é que se pode falar assim, foi entre Capiba e Nelson Ferreira. Lourenço Fonseca Barbosa pertencia a uma família que tinha a pecha de teimosa, daí o apelido Capiba, que na gíria do tempo significava ?Jumento?. O adolescente Capiba, mesmo contra a vontade da família, tornou-se pianista de cinema. Seu primeiro frevo de sucesso foi É de amargar gravada por Mário Reis em 1933; ainda é muito apreciado pelos foliões. Exímio pianista e maestro Nelson Ferreira ficou conhecido também por sua excelência musical. Entre seus vários e consagrados frevos, está o frevo-de-bloco Evocação no 1 que deu origem a uma série de músicas com o mesmo nome, entre as quais algumas compostas pelo extraordinário Antônio Maria. A disputa entre Capiba e Nelson, ficou mais no campo da qualidade, já que ambos disputavam e ainda disputam quem foi o melhor. Aqui temos bons compositores. Entre eles o Marcial de Lima, que compôs o primeiro frevo do Pinto da Madrugada. Foi assim: estávamos em Recife na sede do gigantesco bloco Galo da Madrugada,conversando com seu presidente Eneias Freire, convidando-o para o batizado do Pinto que seria dali a alguns dias em Maceió. A conversa estava animada, rolara um red... Mas seu Eneias só se convenceu de que o Pinto estava pronto para o batismo e se decidiu a vir para o batizado quando o Marcial, para surpresa geral, com aquele seu jeito encantadoramente modesto e sardônico de falar, disse: ?O Pinto já tem até um frevo!? e passou a cantarolar: ?Lá vem O Pinto pra alegrar a cidade... Lá vem o Pinto!?. E amanhã tem aniversário do Pinto. Vamos lá! (*) É médico e professor da Uncisal.

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