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Opinião

Quando o essencial � invis�vel aos olhos

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Primeiro você olha e depois você vê. Este foi o conselho que dei a minha neta, de 13 anos, durante nossas visitas aos museus e palácios que conhecemos em Portugal. Os espaços eram imensos, havia muita coisa para ver e ela ficava atônita sem saber por onde começar. Foi quando eu sugeri: perceba a diferença entre olhar e ver. Veja aquilo que mais lhe interessa. Observe! Pare! Medite! Perca o tempo que quiser, mas atenda o seu sentimento. Passe a vista pela sala inteira e pouse o olhar naquilo que lhe apraz. Então leia a contextualização da obra. Se necessário, volte ao catálogo e não deixe passar nada. Igual a museus e palácios o mundo inteiro é assim. Olha-se para tudo e vê-se o que se quer ver. O olhar não tem compromisso com a estética nem conduz a crítica. O olhar é desatento. O olhar não vê a essência. Por isso tantas vezes você já ouviu dizer: passei por aqui e não vi... E realmente ver é descobrir a unicidade em meio ao coletivo. Saint-Exupéry dizia que ?é preciso ver com o coração?. O que significa que é preciso que cada um tenha um coração. Não basta um coração que pulse apenas e distribua o sangue pelo corpo inteiro, mas que esteja aberto, à flor da pele, exposto a dor, as paixões e a alegria. É esse coração que enxerga e tudo vê. Depois, há também um mundo sem imagens tangíveis, que se esconde ainda mais ao olho nu. É a visão intuitiva, perceptiva à medida que o sentimento aflora. O olhar é ainda mais sutil, porém, suficiente para que a imagem se torne nítida. Algo aconteceu! Revelação inevitável das tragédias. Simulacro utópico da verdade escondida no silêncio, às vezes no sorriso ou no próprio riso. É onde a visão intuitiva do coração enxerga além. A visão intuitiva beira o vaticino. O sentimento desnuda a tênue cortina que envolve a vida atemporal. A ideia efêmera e subjetiva da realidade se projeta ao tempo presente como se já existisse o rescaldo vivo da dor ou da alegria brotando de todos os sentidos humanos. E tantas vezes rejeitamos esse olhar revelador do abismo. Deus é outro desafio. Amamos o que não vemos. E isto é uma lei. Lei, cujas dez outras, do mesmo gênero Jesus resumiu em duas: ?Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo?. E sabemos como é difícil amar ao próximo que está tão próximo de nós. Imagine amar a uma metáfora que chamamos solenemente de Deus. Não é por acaso que a bíblia diz que o homem é a imagem e semelhança de Deus. Já pensou se não fosse? (*) É escritor.

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