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Santidade: voca��o de todo crist�o

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Domingo, as palavras de Jesus são desafiadoras. Ele sempre nos desconcerta ao falar-nos da vida, mas no trecho do evangelho proclamado nas celebrações eucarísticas, Jesus vai ao centro da experiência cristã: ?Sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito? (Mt 5,48). O cristão é chamado a ser como o Pai de Jesus. Mas como isso é possível? Deus é a perfeição na sua essência, como podemos ousar tal condição? A proposta de Jesus de sermos perfeitos segue uma orientação já presente no povo da Antiga Aliança. O livro do Levítico, propondo também a santidade de vida, orienta: ?sede santos como o vosso Deus é santo? (Lv 19,2). Isso nos revela a santidade como vocação de todo aquele que descobre o Senhor em sua vida. São Paulo nos recorda: em Cristo, Deus nos escolheu para sermos santos (cf. Ef 1,3s). Deus já nos pensou vivendo na santidade. A santidade, longe de ser uma realidade além da forças humanas, é a experiência de viver nesse mundo o amor de Deus. Antes de falar da perfeição à exemplo do Pai celeste, Jesus dá uma série de orientações aos seus discípulos. Todas elas têm como força motriz o amor. Por isso ele diz: ?amai os vossos inimigos? (Mt 5,44). Somente o amor quebra o mal na sua raiz, somente o amor sepulta o mal e o pecado. O próprio Jesus deu-nos o exemplo, como diz São Pedro: insultado, ele não insultou, maltratado, não revidava, mas colocava tudo nas mãos Daquele que é Justiça: o Pai (cf. 1Pd 2,23). Essa atitude de Jesus matou a morte, conseqüência do pecado, fruto do mal. Portanto, quando exercitamos na vida o amor, vivenciamos a santidade, quebramos a corrente do mal. Poderíamos aqui pensar, então, a santidade como fruto de uma ascese, de um exercício puramente da vontade humana. Nada disso. O amor com que experimentamos a vida cristã vem de Deus. O amor humano é inflamado pelo amor divino. Esse amor é o Espírito Santo de Deus presente em todo aquele batizado em Cristo. São Paulo nos diz: todos vós sois templo do Espírito Santo, santuário Dele (cf. 1Cor 3,16s). Ora, onde Deus habita, todos os sentimentos, palavras e ações são transfigurados. Na Sagrada Escritura a palavra Santo (Kadosh), qualidade própria de Deus, significa separado. Ou seja: Deus é o totalmente outro, transcendente. Mas esse Deus nos chama a participar da sua santidade, a sermos também separados. O que significa isso? Ao vivermos o amor, tornamo-nos propriedades de Cristo, como diz Paulo: ?vós sois de Cristo? (1Cor 3,23). Não nos tornamos melhores ou piores que os outros, mas simplesmente diferentes. Sejamos santos, sufoquemos o mal com o amor, não nos entreguemos à sede da nossa própria justiça, e o reino de Deus acontecerá. (*) É diácono ([email protected]).

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