Opinião
Convuls�o �rabe
Há semanas, o mundo vem acompanhando os protestos árabes antigoverno. Tudo começou em dezembro passado, na Tunísia, um belo país ao norte da África com 10 milhões de habitantes. O jovem Mohamed Bouazizi em protesto ateou fogo em si mesmo, por não poder vender vegetais em área pública sem autorização. Os tunisianos aceitavam restrições de liberdade política em troca de um progresso lento, mas contínuo. O desemprego crescia. As acusações de corrupções ampliavam-se. A insatisfação contínua impulsionou a revolta do povo que ia às ruas protestar. Escolas, universidades e espaço aéreo fecharam. Os manifestantes tiraram do poder Zine El Abidine Ben Ali que comandava o país há 23 anos. Inúmeras pessoas morreram. Há 6 anos visitei-a e fiquei encantada com seu potencial turístico. Seus hábitos exóticos são atrações para os ocidentais. Pela proximidade com a Europa recebe turistas, sobretudo, franceses e italianos. Oferece beleza e conforto a preços muito convidativos e uma rede hoteleira privilegiada. A revolta do povo tunisiano foi o fator desencadeante para que a população saísse às ruas no Egito, Iêmen, Argélia, Sudão, Jordânia, Bahrein e Líbia. O governo Egípcio reagiu duramente, mas perdeu o controle da situação. Fiéis saíram das Mesquitas e foram às praças. A rebelião generalizou-se no Cairo e invadiu as demais cidades. Na luta pela liberdade mais de 600 pessoas perderam a vida e milhões encontram-se feridas. Enfim, a queda de Hosni Mubarak há 30 anos no poder deu-se em 11 de fevereiro. O Egito é um país militarizado. É o líder da Liga Árabe (22 países) além de ser com a Jordânia, os únicos que mantêm relações com o vizinho Israel. Não esqueçamos de que Israel é o principal aliado norte-americano no Oriente Médio. Visitei-o por 4 vezes. Anualmente é destino turístico de cerca de 20 mil brasileiros. Uma grande festa na Praça Tahrir, centro do Cairo, celebrou uma semana sem o Presidente. Atualmente a nação é comandada por uma Junta Militar que promete fazer a transição para a democracia. Em Bahrein, na Jordânia e Omã os conflitos continuam. A Líbia está em chamas com a população em pânico. Os estrangeiros abandonam o país. A ONU convoca reunião emergencial. Torcemos para que a queda dos regimes autoritários dê espaço à democracia com direitos e liberdades universais respeitados por seus novos Governantes. Que o amanhã nos traga um alvorecer pacífico sem Convulsões árabes. (*) É médica e empresária de turismo.