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O sal�rio e os governistas

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Dilma Rousseff e seus áulicos estão comemorando a esmagadora vitória no parlamento, na questão do salário mínimo de R$ 545,00. De fato, venceu de goleada com direito a olé. Pela retórica oficial, foi dado o que era possível ?para não quebrar o País?. Trata-se de um argumento que tem que ser aceito, inclusive porque a esta altura não há como retroceder. Aumento mixuruca fruto das orgias financeiras do ano passado quando o governo pintou o sete para eleger a então ilustre desconhecida candidata. Modesto observador, tenho acompanhado as manifestações de apoio, sobretudo dos nobres deputados petistas, tanto na esfera federal como na estadual. Também prestei atenção na postura da mídia governista, tão pródiga em críticas ao governo estadual. A fala de Romero Jucá é imperdível. O eterno Jucá, todos sabem, é petista desde criancinha, como foi um dia partidário de Fernando Henrique desde o berço. Envolvido em diversas traquinagens, inclusive na última eleição, quando foi acuado pela PF por manipular somas suspeitas no seu comitê. Carinha de bom moço, sintetiza o pensamento da bancada governista ao querer convencer os trabalhadores de que o salário de R$ 545,00 é melhor que o de R$ 600,00. No âmbito estadual, Judson Cabral ? na mesma sinfonia de raciocínio de Romero ?, também ?parabeniza o trabalhador pelo ganho real de R$ 545,00?. São uns brincalhões que zombam da inteligência alheia. O sindicalista Cícero Lourenço, da CUT, também deu o ar da graça na oposicionista CBN. Numa longa entrevista em que enalteceu o governo anterior como modelo de eficiência e seriedade administrativa, lascou o cacete no atual. Para ele não existe esse papo de ?Responsabilidade Fiscal?, coisa nenhuma. Segundo o intrépido Lourenço, Téo Vilela não concede aumento ao funcionalismo porque é um homem mau, que governa para os ricos, os usineiros, os criadores de gado, as empreiteiras... A impressão é de que os que fazem oposição a Téo são os pobres e humildes das Alagoas, e, principalmente, probos parlamentares que nunca se locupletaram com o dinheiro público. Por sinal, na demorada entrevista, não ouvi qualquer menção de maior desagrado pelo valor do salário mínimo. Achei bacana isso. Prova que o sindicalismo brasileiro da CUT é coerente na sua eterna gratidão ao ex-presidente Lula. (A dívida inclui não correr atrás do PCCS do Ministério da Saúde). Com efeito, receber contribuições compulsórias e não prestar contas ao TCU é um presente dos deuses. (*) É médico e escritor.

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