Opinião
O Pinto da Madrugada e os antigos carnavais
Ontem desfilou pelas avenidas da bonita Ponta Verde o já tradicional bloco carnavalesco Pinto da Madrugada. Surgiu no ano 2000 e já ganhou prestígio em nossa comunidade, principalmente na turma cinquentona em diante, uma vez que, por meio de suas músicas, dos seus estandartes e de suas fantasias, traz recordações gostosas dos carnavais do passado. Parabenizo os quatro caríssimos amigos que tiveram a feliz ideia da criação desse bloco carnavalesco que tanta alegria tem dado ao povo alagoano: Marcos Davi, Marcial Lima, Eduardo Braga Lyra. Hoje o Pinto da Madrugada é uma verdadeira apoteose ao desfilar com milhares de pessoas pulando e dançando ao som de 15 bandas e 560 músicos. A minha geração viveu um carnaval animadíssimo nos anos 60, de brincadeiras puras, de lança-perfume como troca de simpatia e flertes, do corso animado, com verdadeiras batalhas de confetes e serpentinas entre os automóveis enfileirados, do ?passo? na rua do Comércio e da Praça dos Martírios, das animadíssimas matinées da Fênix e dos bailes do Iate. Eram quatro dias de brincadeiras e, realmente, quando chegava a quarta-feira, todos saudosos estávamos a cantar: ?Oh! quarta-feira ingrata, chega tão depressa só para contrariar.? Hoje os tempos mudaram; carnaval de clube não existe mais, os de rua são com músicas axê, a violência cada vez maior, além das drogas e da expansão do sexo. A população cresceu de tal forma que uma grande parte das pessoas preferem descansar nas praias, sítios e hotéis distantes, longe da agitação. De origem urbana, o frevo surgiu nas ruas do Recife em fins do século 19 e começo do século 20. Nasceu das marchas, maxixes e dobrados e as bandas militares tiveram grande influência no surgimento dos frevos pelo uso dos instrumentos de metal também usados pelas bandinhas pernambucanas. A palavra frevo vem de ferver, que passou a significar efervescência. Nesta época sinto saudades do meu amigo Edécio Lopes, profundo conhecedor do frevo, e um dos incentivadores da criação do Pinto da Madrugada. A vida vai passando e as cenas do passado vão rolando pela nossa mente como uma espiral que engole a alma, como uma moenda que tritura a cana. Aos foliões um conselho: beber em excesso dá muita ressaca, cabeça pesada, boca com forte amargor. Pois onde passa o álcool há bagunça no organismo. Dentro da cabeça ele age nos neurônios, daí a tontura e a falta de equilíbrio. Com o álcool, os vasos sanguíneos do cérebro se dilatam e pulsam detonando dor de cabeça. Portanto, ao dirigir alcoolizado pense três vezes que a sua vida e a dos outros está em jogo. (*) É médico.