Opinião
O guerreiro de Gdansk
Aprecio Paris, Nova York, Londres, Roma, Berlim, pela história, cultura, glamour e sofisticação. Mas tenho um pendor para conhecer cidades exóticas e longínquas: Vila San Giovani, Calábria; País Basco, formado por um povo de origem desconhecida; Vladivostok, no extremo oriental da Sibéria;Cagliari, Sardenha; Muralhas da China; Dubrovinic, Croácia; Saint-Jeans-pier du pour, aos pés dos Pirineus, a maior cadeia de montanhas depois dos Alpes; Stalingrado hoje Volvogrado, Rússia, às margens do Rio Volga uma das maiores províncias petrolífera do mundo e palco da primeira grande derrota dos exércitos de Hitler. Gdansk, é uma cidadezinha de meio milhão de habitantes encravada no Mar Báltico ao norte da Polônia, semi destruída pelos exércitos alemães e russos durante a Segunda Guerra Mundial. A Wehrmacht nazista arrazou o país. O exercito Russo ao expulsar os alemães implantou o comunismo por sessenta anos na pátria do grande compositor Fréderic Chopin. Estive lá andando no calçadão central apreciando as belas loiras nórdicas. Seu porto tem uma importância capital para o seu povo, além de uma história comovente. Aqui pontificou Lech Walesa. Eletricista no estaleiro naval Lênin em Gdansk lutou contra a repressão as manifestações operarias pela força das armas.Walesa defendia o livre comércio, os direitos dos trabalhadores e a democracia. Acontecimentos que levaram-no a lutar por sindicatos livres, tornando-se fundador e líder do famoso Sindicato Solidariedade. Foi distinguido com o Premio Nobel da Paz. Temendo não poder voltar à sua pátria, enviou a mulher e o filho, a Oslo, Noruega, em seu lugar para receber a homenagem. Após uma luta monumental contra a ditadura militar do General Jaruzelsk, se elegeu primeiro presidente polonês após a derrocada do comunismo. Lech Walesa era ligado à igreja católica e particularmente a Karol Wojtila,. o célebre Papa João Paulo II, também polonês, nascido em Wadowice, um pequeno lugarejo a 50 quilômetros de Cracóvia, primeiro Papa não-italiano um dos mais influentes personagens do Século 20. Na primeira visita de João Paulo II a terra natal, Lech Walesa foi assistir a cerimônia, ali se tornaram grandes aliados, muitas vezes se encontraram nos subterrâneos do Vaticano para tramar a queda do comunismo na Europa. Ao chegar a Gdansk de avião desci no aeroporto Lech Walesa, uma homenagem do seu povo ao grande guerreiro. (*) É promotor de Justiça aposentado, ex-Deputado e ex-governador de Roraima.