Opinião
Campanha pela casa do homem
Considero-me um observador do cotidiano e, como tal, tenho acompanhado, a longos anos, os temas da Campanha da Fraternidade e sua participação nos grandes desafios humanos. Em 2011, o tema é a ?Fraternidade e a Vida no Planeta?. A campanha busca, por meio do evangelho, a conversão da consciência individual e coletiva da humanidade: consciência do ser humano diante dos graves problemas ambientais que assolam o planeta terra. Neste ano, o documento tenta alertar, acompanhado de milhões de outras tantas vozes, que a terra ? casa maior do homem ? encontra-se em perigo. Tragédias climáticas recentes e a relação com os gases de efeito estufa que a atividade humana está lançando na atmosfera são temas de comprovação recente. ?O aquecimento global é responsável pelas enchentes que têm assolado o mundo?, afirmam cientistas. Concluem que ?as maiores consequências são esperadas a partir da próxima década?. Mas, há sempre, os ?São Tomés? da descrença e isso cria controvérsias. Foram catástrofes ambientais graves as fortes chuvas que caíram em Santa Catarina, em Alagoas e na região serrana do Rio de Janeiro, com cidades inteiras arrasadas. Em Alagoas, foram contabilizadas 34 mortes e milhares de desabrigados, ainda alojados em barracas improvisadas ou em lares solidários que dimensionam o sentimento humano. Se os diversos movimentos ambientais, cada um a seu modo, e seguindo enfoques teóricos diferentes, não têm alcançado êxito em suas tentativas de conscientização do homem sobre os danos ambientais causados à mãe-terra, essa campanha busca mostrar a natureza como parte primeira da criação divina e que necessita ser preservada. Vários outros ângulos da questão são abordados. Para embelezar ainda mais a Campanha da Fraternidade de 2011, a espiritualidade e a abnegação de São Francisco são chamadas para auxiliar na percepção de uma natureza criadora. Para se ter ideia, a imagem do santo de Assis é tão fortemente ligada ao tema ambiental que alguns filósofos apontam o mesmo como o primeiro grande ambientalista, tendo em vista seu entendimento de toda a criação e, em especial, dos animais. O meio ambiente vai se tornando, aos poucos, uma das maiores preocupações da humanidade. É necessário que cada ser humano se conscientize do que deve fazer e do que não pode fazer. Há uma multiplicação de doenças provocadas pela poluição; há males das mais variadas ordens que se juntam a esses desordenamentos. Há prejuízos a contabilizar ainda não dimensionados. A Campanha da Fraternidade vai abordar bons enfoques que merecem reflexão. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.